Fóssil de dinossauro brasileiro é comercializado em loja na Alemanha

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Uma loja na Alemanha vende um fóssil de dinossauro, encontrado no Brasil, por cerca de R$ 16 mil. A comercialização chamou a atenção do pesquisador do Museu Nacional da Universidade do Rio de Janeiro Fernando Orphão de Carvalho, uma vez que, desde 1942, lei brasileira proíbe a venda de fósseis, considerados um bens minerais e patrimônio da União.

Sua extração só pode ser autorizada pela Agência Nacional de Mineração. O tráfico internacional de fósseis é considerado crime de contrabando.

“No caminho percorrido até chegar aqui na Alemanha, pode ter havido, em algum momento, uma atividade criminosa. Espero que seja possível que as autoridades cheguem a quem, no Brasil, forneceu esse fóssil”, disse Carvalho.

Fernando Carvalho é professor na área de linguística e participa de um grupo de investigação científica multidisciplinar do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Tübingen. Foi no centro histórico da cidade que o professor se deparou com o fóssil.

“Eu e minha esposa havíamos almoçado e estávamos andando pelo centro histórico de Tübingen, conhecendo a cidade, quando nos deparamos com essa loja. Os principais fósseis tinham uma etiqueta dando informações, não só o preço, como a datação, a espécie e o local de procedência”, contou.

“E um dos fósseis que mais me chamou a atenção, até pelo tamanho, dizia claramente que era um mesossauro de 280 milhões de anos, preço de três mil euros e o fato de que era originário do Brasil. Apesar de não ser paleontólogo, mas talvez ser professor e pesquisador de uma instituição que abriga paleontólogos, eu sabia que a venda de fósseis no Brasil é proibida por lei”, lembrou o professor.

O fóssil identificado pelo professor brasileiro seria de um mesossauro que viveu no Permiano, último período da era Paleozóica, entre 290 milhões e 248 milhões de anos atrás. O animal marinho chegava a um metro de comprimento, tinha corpo alongado e um cauda usada para se deslocar na água.

Pelo menos 90 fósseis brasileiros de grande porte já foram identificados no exterior por grupos de paleontólogos. Em junho deste ano, um deles foi devolvido ao Brasil pelo governo da Alemanha.

O fóssil de pterossauro conhecido como Ubirajara estava no Museu de História Natural de Karlsruhe e levantou debate sobre a questão. Ele foi devolvido ao Brasil pela ministra do Exterior alemã, Annalena Baerbock, em viagem oficial ao país.

Cientistas brasileiros cobram ainda a devolução de outro fóssil, também na Alemanha, chamado Irritator challengeri. O crânio completo é classificado como holótipo, servindo como descrição da espécie inteira.

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