Juiz cobra instalação de 1.500 medidores de energia em aldeia na Bahia ocupada por não indígenas para exploração turística

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O juiz Pablo Baldivieso, da 1ª Vara Federal de Eunápolis, determinou que a concessionária Coelba apresente, em 15 dias, informações sobre as providências para a instalação de 1.500 medidores de energia na aldeia Xandó, em Caraíva, litoral sul da Bahia, conforme acordo homologado em novembro de 2024.

A decisão, publicada no início de fevereiro, cobra a conformidade com o acordo e, segundo a Folha de S. Paulo, esclarece que os medidores atenderiam exclusivamente às famílias indígenas. A região, que tem passado por expansão imobiliária com pousadas não indígenas, registrou mudanças demográficas desde 2022, quando a Funai apontava 404 não indígenas e 415 indígenas na aldeia.

Além disso, o despacho exige da Funai e do Ministério dos Povos Indígenas a apresentação de um cronograma de visitas técnicas à aldeia e um relatório sobre o andamento do levantamento para a instalação dos equipamentos.

A Acopax, Associação Comunitária Pataxó da Aldeia Xandó, enviou duas notas. Na primeira, afirma que os 1.500 padrões foram autorizados para atender exclusivamente CPFs indígenas, destinando-se às famílias da aldeia Xandó. Em nota enviada ao TRF-1, a associação sustenta que a instalação não beneficiará apenas os indígenas, mas toda a coletividade que mora, visita e trabalha na aldeia.

O juiz afirmou que a decisão de fevereiro não impõe novas obrigações à Coelba, limitando-se a exigir informações. Segundo ele, a medida busca concretizar ações em prol do desenvolvimento sustentável e digno da população da aldeia Xandó, conforme o acordo homologado no ano anterior.

A Coelba afirmou, por meio de nota, ter interesse em regularizar a situação da localidade e aguardava a liberação de órgãos ambientais e de proteção aos povos originários para prosseguir com o serviço, negando ter sido alvo de decisão judicial que a obrigasse a instalar os medidores.

O Ministério Público Federal (MPF) foi procurado para esclarecer posição sobre a instalação dos medidores, mas não comentou. Na mesma decisão, o juiz negou o pedido de arquivamento formulado pelo MPF e prorrogou por seis meses o grupo de trabalho criado para tratar dos arrendamentos irregulares na aldeia Xandó.

A Funai escreveu que o acesso a serviços básicos, como eletrificação, deve ser destinado aos indígenas, mas que não cabe à Funai executar a política de distribuição de energia. A fundação mencionou ainda que avalia notificações de ocupantes não indígenas na região.

O Ministério dos Povos Indígenas afirmou que ainda não foi notificado da decisão e não comentou sobre a instalação dos medidores. A pasta ressaltou que qualquer medida de prestação de serviços públicos em território indígena deve respeitar o regime jurídico diferenciado dessas áreas.

O juiz lembrou que o MPF desistiu da ação de desintrusão (expulsão de não indígenas) do Xandó e destacou que a organização interna, critérios de pertencimento e permanência no território cabe à própria população da aldeia Xandó.

A Acopax defende que a energia é essencial para o funcionamento da escola, do posto de saúde e para a segurança de crianças, idosos e pessoas vulneráveis. Enquanto isso, apurações da Folha e documentos da ação civil indicam que o turismo local é majoritariamente explorado por empresários de fora que arrendaram lotes no território. O arrendamento de terras indígenas é proibido pelo Estatuto do Índio (1973) e pela Lei 14.701/2023; a legislação atual permite cooperação com não indígenas para atividades econômicas, desde que os benefícios sejam compartilhados com a população e os contratos sejam registrados na Funai.

Gostou de conhecer o desenrolar desse caso e como se equilibra acesso a serviços essenciais com direitos territoriais? Deixe sua opinião nos comentários e conte como você enxerga o papel de empresas, governo e moradores locais nesse debate.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Entidades olímpicas prometem mobilização contra PEC da Segurança Pública no Senado

Uma audiência pública no Senado Federal está marcada para a próxima terça-feira (28), às 9h30, em Brasília, para discutir pontos da reforma tributária...

Quem era mulher trans encontrada morta dentro de apartamento no DF

Um corpo de uma mulher trans foi encontrado em um apartamento em Santa Maria, no Distrito Federal. A vítima foi identificada como Valeska...

“Lobo Solitário”‘: quem é o suspeito de atirar em jantar de Trump

Resumo rápido: durante um jantar de gala com jornalistas ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorreu uma troca de tiros...