Após disputa sobre acarajé, vereadora de Salvador pede que ofício das baianas também seja patrimônio de Salvador

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Enquanto o acarajé já é considerado patrimônio imaterial do Rio de Janeiro e de Salvador, a arte de fazer a iguaria ainda não foi elevada a esta condição na capital baiana. Essa é a reclamação da vereadora Marta Rodrigues (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia.

 

O ofício das baianas já é tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), ligado ao Governo do Estado, desde 2012, junto com a acarajé. A petista reclama, porém, da falta desse reconhecimento pelo governo municipal de Salvador. 

 

Ela disse que está aguardando que a Prefeitura de Salvador atenda ao pleito das baianas de acarajé e, “assim como faz o Governo da Bahia, atue pela preservação da cultura e da tradição do ofício dessas mulheres tornando-o patrimônio cultural e material”. 

 

 “O Estado da Bahia registrou em 2012 no livro de patrimônio o acarajé e todos os itens que compõem o ofício das baianas, desde as indumentárias, adereços, tabuleiro, os alimentos e as tradições relacionadas. Não há como alienar o acarajé do ofício das baianas”, alegou Marta.

 

Conforme o relato da vereadora, chegou a ser  aprovado na Câmara Municipal um projeto para tornar o ofício das baianas patrimônio de Salvador, mas teria sido vetado pelo então prefeito ACM Neto. “Foi vetado porque disseram que tinha que passar pelo Conselho de Patrimônio, conselho este que passou a existir somente em 2015. Então, onde está o tombamento do ofício das baianas na capital? Por que não fez até agora?”, questiona.

 

“A Prefeitura, nas redes sociais, afirma que o acarajé é patrimônio cultural na cidade sob a Lei nº 6138/2002, mas não explicou como se dá essa proteção, uma vez que no ano em que a lei foi sancionada não existia órgão do patrimônio na capital baiana, que passou a existir em 2015. Tem registro no livro de patrimônio do município? Tem plano de salvaguarda? Passou pelo Conselho de patrimônio? Queremos saber disso. Como se dá essa proteção?”, continuou.

 

Para Marta, tornar o ofício das baianas patrimônio em Salvador, similar ao feito pelo governo do Estado, é uma forma de manutenção da cultura afro-brasileira e da ancestralidade africana. “Preservar o ofício das baianas, ter um plano de salvaguarda, impedir que descaracterizem a essência do acarajé, é também uma forma de combater o racismo. E é o que as baianas querem: não ver mais acarajés de jesus, cor de rosa, com bacalhau, ketchup, dentre outros absurdos”, defende.

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