Rússia deixa Tratado das Forças Armadas Convencionais e acende alerta sobre a segurança euro-atlântica

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

escalada do conflito na ucrania

A Rússia concluiu nesta terça-feira, 7, o processo de saída do Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa (FACE). “O documento jurídico internacional, cuja validade foi suspensa já em 2007, foi definitivamente remetido para a história”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. Diante desta decisão, os 31 aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também informaram que suspenderão a implementação do FACE. “Embora reconheça o papel do Tratado FACE como pedra angular da arquitetura de segurança euro-atlântica, os Estados aliados “pretendem suspender a aplicação do Tratado FACE pelo tempo que for necessário, de acordo com seus direitos sob a lei internacional”, disse o Conselho do Atlântico Norte, o mais alto órgão de tomada de decisões da Otan, em comunicado.

Os aliados condenaram tanto a decisão da Rússia de se retirar do tratado quanto sua guerra de agressão contra a Ucrânia, “contrária aos objetivos” do FACE. “A retirada da Rússia é a última de uma série de ações que sistematicamente prejudicam a segurança euro-atlântica”, enfatizaram. Moscou, segundo eles, “continua a demonstrar seu desrespeito pelo controle de armas”, incluindo os princípios fundamentais de reciprocidade, transparência, conformidade, verificação e consentimento do país anfitrião, e “prejudica a ordem internacional baseada em regras”. Além da saída do FACE, outros dois documentos também perderam a validade, sendo eles: o Acordo de Budapeste de 1900 e o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares pela Rússia. Em 29 de maio, o presidente russo Vladimir Putin sancionou a lei de denúncia do Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa, que estabelece limites legalmente vinculativos e verificáveis para as principais categorias de equipamentos militares convencionais.

Os países da Otan afirmaram que continuarão a consultar e avaliar as implicações do atual ambiente de segurança e seu impacto sobre a Aliança. Eles indicaram que usarão a Aliança como uma “plataforma para discussões aprofundadas e consultas próximas sobre os esforços de controle de armas”. A Rússia já tinha suspendido a implementação do tratado em 2007, que foi criado para evitar que qualquer uma das alianças da Guerra Fria na Europa – a Otan e o Pacto de Varsóvia – acumulasse forças para lançar uma ofensiva rápida. O documento, descrito após sua criação em 1990 como a pedra fundamental da segurança europeia, eliminou na época a vantagem quantitativa da União Soviética em armas convencionais na Europa. O tratado estabeleceu limites iguais para o número de tanques, veículos blindados de combate, artilharia pesada, aviões de combate e helicópteros de ataque que a Otan e o Pacto de Varsóvia poderiam instalar entre o Oceano Atlântico e os Urais.

*Com informações da AFP

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

EUA fazem audiências públicas sobre práticas comerciais do Brasil

O Brasil está no centro de duas audiências públicas em Washington promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para avaliar práticas...

Sobe para 2.595 número de mortos em terremotos na Venezuela

Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram La Guaira, na Venezuela, na noite de 24 de junho, deixando ao menos 2.595 mortos...