O cinismo de militares suspeitos de atentar contra a democracia

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Lula sabe onde os calos lhe apertam, e empenhado em passar uma borracha no passado, suspendeu qualquer celebração oficial pela passagem dos 60 anos do golpe militar de 1964.

Golpe não é para ser esquecido. Se for, pode se repetir, como quase se viu em dezembro de 2022 e em janeiro de 2023. País sem passado é destinado a não ter futuro.

Nunca os militares estiveram tão acuados. Quem imaginaria ver general, almirante, brigadeiro e altos oficiais sendo obrigados a dar explicações à Polícia Federal?

Não as deu nem o ex-capitão afastado do Exército por planejar detonar bombas em quartéis nos anos 80. Bolsonaro foi julgado e absolvido pelo Superior Tribunal Militar.

O ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, foi um dos alvos de busca e apreensão da operação policial que apura a tentativa de golpe em dezembro.

Freire Gomes, à época, comandante do Exército, depôs. O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica, também. Mas Garnier Santos ainda não.

Sabe-se que Bolsonaro pediu o apoio dos três para dar o golpe que impediria a posse de Lula, e que o então comandante da Marinha foi o único que pôs suas tropas à disposição.

O almirante tem dito que só assinou a nota de 11 de novembro dos comandantes militares em defesa dos acampamentos dos golpistas para ser solidário com Freire Gomes.

Afinal, não havia acampamentos em portas de quartéis da Marinha, apenas à porta do QG do Exército, em Brasília. País afora, de fato, foi o Exército que acolheu os golpistas.

Na nota, os comandantes chamam os acampamentos de “manifestações populares” e citam o papel de “moderadoras” das Forças Armadas nos momentos difíceis do país

O texto critica “excessos cometidos em manifestações” e condena “eventuais restrições a direitos por parte de agentes públicos”. É a tal da livre manifestação de pensamento…

Um engodo que rui facilmente: e se Lula tivesse sido derrotado, e se seus eleitores, a pedir um golpe, procurassem abrigo em portas de quartéis, seriam docilmente acolhidos?

Seriam expulsos. Na verdade, nem chegariam perto. Se tentassem, seriam presos. E não venham os ex-comandantes dizer agora que a nota foi ordenada por Bolsonaro.

Deve ter sido, e eles se limitaram a obedecer. Ordens que contrariam a lei e o bom senso é para serem ignoradas. Não é o que os oficiais aprendem e ensinam aos soldados?

Há mais canários verde-oliva com ânsia de cantar. Após ficar em silêncio ao ser convocado pela Polícia Federal,  o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior quer depor.

A defesa do coronel Marcelo Câmara diz que ele está disposto a ouvir propostas de colaboração se tiver que depor. Cantem, passarinhos, cantem muito para escapar da gaiola.

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