Inteligência artificial será uma nova espécie digital, diz chefe da Microsoft AI

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VANCOUVER, CANADÁ (FOLHAPRESS) – O que é inteligência artificial? Mustafa Suleyman, um dos pioneiros da tecnologia e recém-contratado para liderar a nova divisão de IA da Microsoft, cansou de dar respostas genéricas e sem graça para essa pergunta que pouca gente tem a resposta.

Ele então formulou uma metáfora para descrevê-la: “Devemos entendê-la como uma nova espécie digital”, disse Suleyman na terça-feira (16), numa palestra do TED, que acontece nesta semana em Vancouver, no Canadá.

“Eles serão nossos companheiros digitais, novos parceiros por toda a vida. É a maneira mais precisa e honesta de descrever o que realmente está por vir”, disse. “Estamos num ponto de inflexão na história da humanidade, caminhamos para o surgimento de algo que todo mundo tem dificuldade para descrever. E não podemos controlar o que não entendemos.”

Suleyman é um dos três fundadores da DeepMind, laboratório britânico de IA criado em 2010 e comprado pelo Google em 2014. O executivo deixou o Google em 2022 e lançou a empresa Inflection, da qual saiu ao ser contratado pela Microsoft em março.

Como CEO da Microsoft AI, ele vai liderar uma nova unidade da empresa em Londres, focada em pesquisa e produtos. A gigante já investiu US$ 13 bilhões na OpenAI, dona do ChatGPT.

Suleyman disse ao público do TED que estuda IA há 15 anos e, até pouco tempo atrás, falar sobre IA era algo “meio embaraçoso”. “As pessoas achavam que era algo de ficção científica, que demoraria 50 ou 100 anos ou nunca seria possível. Éramos vistos como esquisitos”, disse.

“Mas hoje milhões de pessoas usam IA. A IA dirige carros, administra redes de energia, inventa novas moléculas”, continuou, citando também capacidades como criar arte, poesia, vídeos, música e ainda ter empatia.

“Alguns anos atrás, nada disso seria possível. Mas tudo isso foi turbinado por exponenciais de dados e computação.”

Como exemplo, disse que se uma pessoa lesse 24 horas por dia, durante toda sua vida, estaria consumindo 8 bilhões de palavras, quando as IAs mais avançadas de hoje podem consumir mais de 8 trilhões de palavras em um único mês de treinamento.

Suleyman é autor do livro “The Coming Wave” (2023), no qual descreve resultados negativos que as IAs podem ter no mundo, como aumento de desemprego, vigilância e controle, ameaças à democracia. Chris Anderson, curador do TED, comentou que o livro é o mais importante da atualidade sobre o tema.

Mas no seu TED Talk, ele se focou no positivo. Suleyman, que largou a Universidade de Oxford para cofundar o Muslim Youth Helpline, um serviço de aconselhamento telefônico, acredita que as IAs serão “confiáveis, precisas, gentis e empáticas”.

“IA não é apenas mais uma invenção. A própria IA é um inventor infinito”, disse. “E se a IA concretizar apenas uma fracção do seu potencial, a próxima década será a mais produtiva da história da humanidade.”

Ao final da palestra, o executivo foi questionado por Chris Anderson sobre os riscos da tecnologia. Suleyman insistiu na cenário positivo, mas acabou cedendo para falar sobre os perigos de criar IAs autônomas e com capacidade de autoaperfeiçoamento.

“Autonomia é obviamente um patamar no qual aumentaríamos o risco para nossa sociedade e é algo que devemos avançar com muita, muita cautela”, disse.

“E se você permitir que o modelo [IA] se autoaperfeiçoe de forma independente, atualizando seu próprio código, num ambiente sem supervisão, sem um humano no controle, isso seria obviamente perigoso”, continuou. “Mas ainda estamos longe disso, uns cinco ou dez anos.

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