Opinião: Geraldo Jr. e a versão ambientalista que não sobrevive à história do ex-presidente da Câmara

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Memória curta é uma aposta muito comum entre os membros da classe política. Principalmente quando há mudanças bruscas no “método” de fazer política. O exemplo mais recente disso é o comportamento contraditório – para não chamar de ambíguo – do vice-governador Geraldo Jr. (MDB) que, após conduzir sucessivas tentativas de desmontes a proteções ambientais enquanto presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, agora tenta se passar por paladino da moralidade ambiental na capital baiana.

 

Em propaganda recente do MDB, para, em tese, promover a filiação de novos membros ao partido, Geraldo Jr. assumiu a função de candidato a prefeito de Salvador e, de repente, tentou passar uma borracha em todas os esforços para, por meio de “jabutis”, alterar a legislação soteropolitana a fim de flexibilizar diversos instrumentos legais da cidade. A forma começou ainda no primeiro mandato dele à frente da Câmara, quando o prefeito era ACM Neto (União), e foi intensificado já com Bruno Reis (União) no Palácio Thomé de Souza – com direitos a sucessivos vetos do Executivo, que mitigou os efeitos tentados por ele.

 

A estratégia foi usada repetidas vezes: a prefeitura mandava um projeto para a Câmara e, desde a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final, já eram feitas emendas diversas para atender aos interesses defendidos até então por Geraldo Jr. Hoje aliados, os opositores chegavam a criticar a postura, mas esqueceram rapidamente todas as críticas quando o então presidente da Câmara mudou de lado e passou a ser um “representante” da esquerda na capital baiana. A anuência, em algumas vezes, não era restrita aos governistas, como era esperado. Boa parte da oposição também ficava silente a cada novo “jabuti” inserido nos textos. Era um acordo que beneficiava Geraldo Jr. e, muitas vezes, prejudicava a cidade.

 

Agora, na versão soft e esquerdista do candidato da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em Salvador, Geraldo Jr. tenta manter em alta a falta de memória da população, como se, num passe de mágica, fosse possível esquecer de todos os intentos realizados por ele durante quatro anos como presidente da Câmara de Salvador, em movimentos por vezes contrários ao Palácio Thomé de Souza, mas também com uma articulação para “obrigar” a articulação de Bruno Reis a ceder para as demandas apresentadas por um dirigente que se dizia defensor da independência do Legislativo – quando, por vezes, atuava como um representante sindical dos mais diversos segmentos. Talvez daí tenha vindo a verve da “esquerda” pregada como uma realidade para figurar ao lado de nomes históricos da esquerda baiana como Lídice da Mata e o próprio Jaques Wagner e Rui Costa – se bem que, esse conceito anda tão fluído que até Igor Kannário se tornou socialista.

 

Entre o novo posto de ambientalista de propaganda eleitoral e a realidade dos fatos, Geraldo Jr. se comporta como a caricatura daquilo que há tempos os próprios políticos tentam afastar do protagonismo, ao mesmo tempo em que retroalimentam para que nenhum deles perca o status quo. Ter problemas de memória é uma aposta alta, mas que não afeta todo mundo. Se os novos aliados agora preferem fingir que tudo não passou de um devaneio, é provável que os novos adversários não o façam. Ou seja, na campanha tudo pode vir à tona não como uma vaga lembrança…

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