Cresce o PIB, cresce o emprego, a inflação cai, mas, mas, mas…

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Frente ao trimestre anterior, e mais do que o chamado mercado previa, o Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas pelo Brasil no primeiro trimestre deste ano, cresceu 0,8%. O desemprego e a inflação caíram, e isso é notável porque as duas taxas não costumam cair juntas. Houve aumento de renda.

Entre janeiro e março últimos, o Brasil exportou US$ 78,3 bi, 3,2% mais do que no ano passado. Tanto a exportação, quanto o saldo de US$ 19 bi, foram recordes, observa Miriam Leitão, colunista econômica do jornal Globo. No caso da inflação: ela terminou o ano passado em 4,62%. Em março agora, foi de 3,9%.

Em 2023, o crescimento da economia deveu-se basicamente ao setor do agronegócio. No primeiro trimestre de 2024, o crescimento deveu-se ao setor de serviços, ao mercado de trabalho muito forte, ao crédito e ao gasto público com o aumento da despesa social e o pagamento dos precatórios pendentes deixado pelo governo Bolsonaro.

A alta de 0,8% do PIB no primeiro trimestre e outros indicadores sugerem que é razoável esperar que o crescimento da economia, este ano, fique entre 2% e 2,5%, como estima o chamado mercado. A tragédia das águas no Rio Grande do Sul terá um forte impacto no segundo trimestre, mas a recuperação se dará ainda este ano.

Caso tudo isso aconteça, e tirando da conta os anos atípicos da pandemia da Covid (2020 e 2021), estaremos diante do melhor desempenho trienal da economia desde 2011-2013. Mas, mas, mas… Ainda assim não será um aumento satisfatório para que o país supere as suas fragilidades socioeconômicas.

Lula sabe disso, e Fernando Haddad, ministro da Fazenda, sabe melhor do que ele. A taxa de investimento é uma das mais baixas deste século que começou antes do Lula 1. Há limites para as despesas extras do governo que, por ora, estimulam o consumo. Lula acha que mesmo assim os limites poderão ser expandidos.

A queda dos juros, em parte relevante, depende das taxas de juro dos Estados Unidos. Os céticos – sempre eles – duvidam que se sustente por muito tempo um quadro de baixa de desemprego, aumento da média salarial e queda da inflação. Sim, e ainda tem pela frente a troca  do atual comando no Banco Central.

Sairá da presidência do banco o economista de tinturazinha bolsonarista Roberto Campos Neto. Quem o sucederá? O mercado já foi mais bolsonarista do que é. Mas parte dele, que em 2022 votou em Lula, votará em 2026 em um candidato a presidente que conte com o apoio velado ou explícito de Bolsonaro.

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