Obra de contenção ameaça nascente e casas em volta, no Bernardo Sayão

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A construção de uma bacia para conter a água das chuvas tem preocupado moradores do Lote 4 do Guará Park, conhecido como Bernardo Sayão, no Guará. Eles temem a proximidade do reservatório em relação às casas, uma vez que a estrutura está sendo instalada dentro das chácaras 11 e 12 da região. Os vizinhos questionam, ainda, se a nascente d’água não será preservada.

De responsabilidade da Secretaria de Obras do Distrito Federal (SODF), a construção teve início em setembro de 2023, foi paralisada devido às chuvas e retomada no início deste ano. A produtora cultural Ana Luiza Santos, 28, conta que, em fevereiro deste ano, os responsáveis pela obra se reuniram com alguns moradores e fizeram promessas que, segundo a jovem, vêm sendo descumpridas.

“Nos mostraram o perímetro da lagoa e disseram que não iriam aterrar toda essa área que estão aterrando hoje e que ainda restaria um espaço verde. Porém, além de estarem drenando toda a nascente, estão derrubando todas as árvores”, relata.

Ana Luiza alega que, no início das obras, chegou a ser ameaçada por funcionários. “Eles queriam acessar a área da nascente pelos fundos da nossa casa, mas a gente não deixou. Com isso, decidiram nos ameaçar, dizendo que derrubariam nossa residência. Por fim, acabaram acessando o local onde será construída a bacia através de outro condomínio”, relembra.

A jovem afirma que uma casa ainda em construção foi derrubada em janeiro para dar andamento à instalação da bacia.

Assista:

Ana teme que ela e seus vizinhos possam ser afetados. “Muitos moradores, infelizmente, não têm noção dos riscos de uma obra desse porte estar tão próxima de nós.”

Quanto à “morte” da nascente, que compõe o Córrego Vicente Pires, a moradora prevê um impacto ambiental não só ao meio ambiente, mas aos moradores de maneira direta. “Esse espaço vai ser transformado em um verdadeiro recipiente de esgoto da região, passando a receber todo tipo de lixo e dejeto que vem junto com a água pluvial”, diz.

O vídeo abaixo mostra o maquinário na região. Nas imagens, é possível notar a proximidade das casas e também a água da nascente continuando a correr, mesmo em meio ao aterramento já iniciado:

Outro morador da região, o fotógrafo Frederico Monteiro, 30, conta que os funcionários da obra até hoje não apresentaram informações sobre a licença ambiental para a execução dos trabalhos. “A gente sempre pediu dados sobre o licenciamento, mas nunca nos mostraram”. O Metrópoles esteve no local e constatou que não havia nenhuma placa nas imediações, com informações sobre os trabalhos.

“É muito triste ver a água escorrendo e os tratores jogando terra. Como é muita água, eles jogam caçambas e mais caçambas de areia. Será que não há outra política, outro jeito de resolver essa questão da água das chuvas? Vamos resolver um problema causando outro?!”, questiona o fotógrafo.

Desde setembro do ano passado, a região conta com duas bacias de contenção construídas nos arredores da via que liga o Guará ao Núcleo Bandeirante, em local onde não há imóveis muito próximos. Um dos reservatórios tem 5 mil m² de área, e o outro, 2,3 mil m².

8 imagensFechar modal.1 de 8Obra acontece próximo aos imóveis da região

Willian Matos/Metrópoles2 de 8Bacia será instalada no perímetro das chácaras 11 e 12

Willian Matos/Metrópoles3 de 8Antes das obras, local era arborizado

Material cedido ao Metrópoles4 de 8Boa parte do verde foi derrubado

Material cedido ao Metrópoles5 de 8Local vem sendo aterrado para a construção da bacia

Willian Matos/Metrópoles6 de 8Mesmo com a terra que vem sendo colocada, a água segue correndo

Willian Matos/Metrópoles7 de 8Região tem outras duas bacias

Willian Matos/Metrópoles8 de 8Ambas ficam às margens da pista que liga o Guará ao Núcleo Bandeirante

Willian Matos/Metrópoles “Impactos socioambientais severos” De acordo com o mestre em planejamento em gestão ambiental, Raimundo Barbosa, as residências em volta poderão, sim, sofrer danos a longo prazo. “Se desmatarem toda essa área, o risco ambiental é grande”, alerta.

Raimundo Barbosa, que também é especialista em avaliação de risco ambiental, prevê que a supressão da vegetação e das nascentes causará “impactos socioambientais severos”. “Pelo que vemos, [a obra] é frágil do ponto de vista ambiental, pois há nascentes no local e está abaixo de uma encosta”, analisa o especialista.

O mestre em planejamento em gestão ambiental leva em consideração a importância de um reservatório para receber a água das chuvas, mas questiona se a construção não poderia ocupar outro local para a preservação da nascente e das casas próximas. “Além disso, o Executivo precisa realizar uma compensação ambiental dado o desmatamento causado pela derrubada das árvores”, frisa.

Para o especialista, o Governo do Distrito Federal (GDF) deveria ter ouvido a população por meio de audiências públicas, por exemplo, antes do início das obras. Raimundo cita ainda a importância de a comunidade se reunir para discutir o tema e questionar as autoridades de forma unificada.

Respostas Em contato com a reportagem, a Secretaria de Obras afirmou que “todas as obras executadas pela pasta somente são iniciadas com todas as autorizações e licenças ambientais que se façam necessárias” e que, por isso, a construção da bacia em questão “não representa qualquer risco ambiental à região”.

A SODF afirmou, ainda, que a construção da bacia faz parte do pacote de obras de infraestrutura da Colônia Agrícola Bernardo Sayão. O valor total investido é de R$ 24 milhões, e todas as intervenções devem ser concluídas em março de 2025.

O Instituto Brasília Ambiental não deu detalhes sobre o licenciamento ambiental da obra.

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