Da favela para a Casacor, casa de 7,30 m² em Paraisópolis vira modelo

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

São Paulo – Antes um espaço frio, com baratas, vazamentos e cheiro de mofo, a casa de 7,30 m² de Wallece Souza, 33 anos, no Jardim Colombo, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, passou por uma incrível transformação. Em menos de um mês, o local se tornou um modelo de inspiração, sendo o primeiro projeto de moradia na favela a ser apresentado na Casacor, um renomado evento de arquitetura mundial.


Design sem nome 4 96

10 imagens

A casa do entregador após a reforma realizada pela arquiteta. Wallece e Ester estudaram juntos

A casa do entregador após a reforma realizada pela arquiteta. Wallece e Ester estudaram juntos
A casa do entregador após a reforma realizada pela arquiteta. Wallece e Ester estudaram juntos
A casa do entregador após a reforma realizada pela arquiteta. Wallece e Ester estudaram juntos

A casa do entregador passou por uma reforma emocionante, liderada pela arquiteta responsável pelo projeto. Wallece e Ester, colegas de estudo, acompanharam de perto toda a transformação ocorrida.

Durante a reforma, cada detalhe foi cuidadosamente planejado para garantir o melhor aproveitamento do espaço e uma estética acolhedora. A arquiteta dedicou-se a criar um ambiente funcional e cheio de personalidade.

As imagens a seguir mostram a evolução da casa do entregador, revelando o antes e depois das mudanças realizadas. Cada foto transmite a sensação de renovação e cuidado presente em cada cômodo.

A primeira imagem apresenta a fachada da casa, evidenciando a aparência renovada e moderna adquirida após a reforma. Os ajustes arquitetônicos destacam-se, trazendo um novo aspecto ao local.

Em seguida, temos o interior da residência, onde aconchego e beleza se encontram em perfeita harmonia. Os ambientes foram planejados para proporcionar conforto e praticidade ao morador.

A nova distribuição dos espaços permitiu uma melhor circulação dentro da casa, tornando-a mais funcional e agradável para o dia a dia. Cada cômodo foi pensado com atenção aos mínimos detalhes.

Ao término da reforma, a casa do entregador ganhou uma nova vida, expressando a essência do seu dono e refletindo o talento da arquiteta responsável pelo projeto. O resultado final foi admirável.

Essas imagens ilustram não apenas a transformação física da casa, mas também o impacto positivo que uma reforma bem planejada pode ter na qualidade de vida dos moradores. A dedicação e o profissionalismo da arquiteta foram fundamentais para o sucesso do projeto.

A casa do entregador, agora renovada e cheia de personalidade, representa um lar acolhedor e cheio de memórias. A colaboração entre profissional e cliente resultou em um espaço único e especial, feito sob medida para atender às necessidades e desejos do morador.Entre uma entrega e outra, o paulistano compartilhou com o Metrópoles sobre sua nova residência. Ele perguntou se tinham visto a transformação. O local anteriormente não possuía sequer um chuveiro adequado: “Eu chegava e era necessário usar o chuveiro do vizinho. Às vezes, era tão tarde que nem dava tempo de tomar banho. Sabemos que tomar um banho após o trabalho é essencial para acordar revigorado para as entregas do dia seguinte”, afirmou.

A ausência de estrutura era evidente na casa de Wallece. Ele contou: “Eu usava lençóis para tampar as aberturas devido aos ventos gelados. E isso evitava a entrada de insetos ou outros animais perigosos”, acrescentou. Com jornadas de mais de dez horas pedalando diariamente, ele conseguiu economizar e adquirir um barraco de apenas 7 metros quadrados.

O responsável pelo projeto de reconstrução é a arquiteta e ativista Ester Carro, que se dedica a mostrar o potencial da arquitetura nas comunidades periféricas. Ester já estava inserida nesse universo, fazendo parte ativa de histórias como a do entregador. Ela acompanha e se envolve genuinamente em cada trajetória.

Em meados de 2008, na Escola Estadual, Wallece e Ester se conheceram e compartilharam experiências. Anos depois, em 2021, mãos à obra, a arquiteta focou em proporcionar um novo lar ao entregador, transformando a realidade antes precária em um ambiente acolhedor e digno.

As imagens do antes e depois da residência do entregador demonstram a incrível mudança que ocorreu. O empenho e a dedicação de Ester possibilitaram a criação de um espaço confortável e seguro, que agora é não apenas um abrigo, mas um lar para Wallece.

A valorização das comunidades periféricas e a transformação de realidades precárias em ambientes dignos são marcas do trabalho da arquiteta Ester. Seu comprometimento vai além da estrutura física das casas, alcançando o bem-estar e a esperança das pessoas, como é evidenciado na história de Wallece e Ester.

O projeto arquitetônico vai além de erguer paredes; ele representa a reconstrução de vidas, a renovação da autoestima e a esperança de dias melhores. Com cada reforma, Ester evidencia que a arquitetura é uma ferramenta poderosa de inclusão social e transformação, capaz de mudar não apenas os espaços, mas também os corações e mentes daqueles que são impactados por seu trabalho inspirador.Pedro Fonseca, Ester e Wallace se conheceram durante o período escolar. Ester comentou que o acesso à escola pública na região do Jardim Colombo era e ainda é bastante complicado. Ela mencionou que nos dias de chuva, chegar até lá era caótico, pois não havia uma escola pública dentro da comunidade. Ester concluiu o ensino médio e se formou em arquitetura, enquanto seu colega de infância não conseguiu finalizar seus estudos devido à necessidade de trabalhar.

Em 2023, Ester e Wallace se reencontraram quando Ester realizou a reforma da casa do Seu Tiquinho. Inicialmente, a residência possuía apenas 4m², sem banheiro e cozinha. Ester transformou a casa por meio de doações, seu conhecimento em arquitetura e capacitando os moradores através do projeto Fazendinhando. A reforma teve início em 10 de junho e foi concluída em 6 de julho, e durante esse período, Wallace está morando temporariamente na casa de amigos da comunidade.

Ester recordou que Wallace pediu ajuda ao passar pela mesma rua em que ela estava. Mesmo adquirindo o terreno com muito esforço, trabalhando como entregador em sua bicicleta, a casa de Wallace não tinha pilares. Ester propôs o projeto à Casacor, que aceitou patrocinar. A casa de Wallace foi reformada de acordo com as possibilidades do espaço, com a inclusão de um mezanino para otimizar a área, permitindo um local para dormir, cozinha, banheiro, armários, entre outros.

A solução apresentada por Ester foi a verticalização. Um mezanino foi projetado para o dormitório, enquanto abaixo foram dispostos armários, uma bancada funcional como cozinha e um tanque. O espaço total passou a ser de 10,50m², e todos os materiais, como torneiras, marcenaria, colchão e tintas, foram doações de empresas envolvidas no projeto Fazendinhando. Wallace é visto como um exemplo de perseverança e dedicação, sendo destacado por Ester em entrevista ao Metrópoles.

Além da casa de Wallace, outro lar transformado no Jardim Colombo foi o de Neuza, que antes era infestado por ratos e em condições precárias. Ester destaca a falta de suporte das políticas públicas para moradores de comunidades periféricas. Wallace expressa sua felicidade e motivação com a nova casa, mencionando o desejo de retomar os estudos, possivelmente em arquitetura ou engenharia civil.

Ester demonstra sua determinação em buscar dignidade para a população da periferia, e compartilha que seu objetivo vai além, almejando ter um programa de televisão para mostrar projetos arquitetônicos em comunidades periféricas. Wallce voltará para sua nova casa na próxima semana, onde finalmente poderá dormir sem medo de insetos, em meio a um ambiente decorado com um grafite feito pelo artista local Júlio Jesus, fundador do Studio Desenrole.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

União Brasil diverge de Ciro Nogueira e empurra decisão sobre apoio a Flávio

O União Brasil vai debater, em julho, a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro na chapa da federação com o PP, sem fechar posição....

Sérgio Reis diz que pediu para abrir todo o “tampão” do cérebro em cirurgia

Sérgio Reis relembra o susto de um AVC em 2002 e revela que, durante a cirurgia, pediu ao neurocirurgião Guilherme Carvalhal Ribas para...

CLDF concede título de Cidadão Honorário de Brasília a Nunes Marques

Resumo rápido: a Câmara Legislativa do Distrito Federal concedeu ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF e presidente do TSE desde 2026, o...