Medalha de ouro para o perfeito idiota

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A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris ainda estava em curso quando dois brasileiros se destacaram na corrida pela medalha de ouro na categoria intitulada “O Perfeito Idiota”: o general Hamilton Mourão, o vice-presidente menosprezado por Bolsonaro durante seu mandato, e o delegado Alexandre Ramagem, exaltado por Bolsonaro até…

O delegado é o principal concorrente ao ouro, deixando o general para trás, um indivíduo simplório apaixonado por cavalos. Mourão limitou-se a proferir mais um de seus disparates, longe de merecer sequer a medalha de bronze. Já Ramagem, esquecendo o que aprendeu em suas lições de espionagem, guardou provas de seus atos para o futuro.

Não guardou as provas para si, mas sim para que a Polícia Federal as encontrasse em seus registros. Como ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Ramagem propagou ideias contra a integridade do processo eleitoral brasileiro e a favor de rupturas na democracia. Ele elaborou um dossiê sobre procuradores da República que investigavam Bolsonaro e seus filhos.

As evidências coletadas durante buscas e apreensões reforçam as suspeitas da Polícia Federal de que a ABIN foi utilizada na disseminação de notícias falsas e para questionar os resultados das eleições de 2022 por parte de Bolsonaro. Em depoimento recente, Ramagem alegou não se recordar se os textos de sua autoria foram enviados a Bolsonaro. Compreensível.

A ascensão de Ramagem se deve a Bolsonaro e seus filhos, que depositaram confiança nele. Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal, porém foi impedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Com o apoio da família presidencial, Ramagem conquistou uma vaga como deputado federal e agora é candidato a prefeito do Rio de Janeiro.

A família ficou chocada ao descobrir que Ramagem não apagou os arquivos de seus computadores. Ainda assim, não romperam publicamente com ele, pois isso seria admitir a veracidade das acusações da Polícia Federal. O ditado diz que o criminoso sempre volta ao local do crime. Ramagem, sem precisar retornar, carregou consigo o local do delito.

Falando sobre a missão de Janja, esposa de um ex-presidente, na França, Mourão escreveu no extinto X, ex-Twitter, que a “ida de Janja à França é algo lamentável para o Brasil, que deixa de lado seu vice-presidente e ministros em uma missão protocolar de representação. O Itamaraty deveria explicar como orquestrou a obtenção das credenciais de chefe de Estado para a primeira-dama”.

A maneira como o Itamaraty conseguiu as credenciais foi acionando as embaixadas da França em Brasília e do Brasil em Paris. Janja foi designada para representar Lula, convidado para a abertura dos jogos. Da mesma forma, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que optou por não ir, também designou sua esposa. Nada de mais, não é mesmo, Mourão? Cuida da tua vida.

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