“É revoltante”, diz tutora de Gaia, cadela morta durante transporte

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São Paulo — “Receber o corpo em uma caixa de gelo, depois de entregar um animal limpo, é triste deprimente e revoltante. É uma mistura de sentimento, de raiva, de injustiça, de impunidade”, desabafa Jakeline Jovita de Souza, tutora da cadela de Golden Retriever Gaia, que morreu enquanto estava sendo transportada do Maranhão para São Paulo. Gaia tinha 5 anos e faleceu em Marabá, no Pará, no meio do trajeto. Para a tutora, a morte é “revoltante”, e a justificativa dada pela empresa transportadora MooviPet ‘”é genérica”: “Não somos as únicas vítimas, e para todo mundo eles dão a mesma justificativa, ‘que o animal passou mal’, mas não explicam o que realmente aconteceu”. Jakeline conta que Gaia foi retirada da sua casa no dia 26 de julho, em São Luís. Ela acompanhava o trajeto do animal pelo rastreador quando ele foi interrompido. “Um funcionário me ligou na quinta [dia seguinte] à noite avisando que o carro tinha quebrado em um lugar ermo do Pará. Eu perguntei sobre ela, falei para ela ser tirada do carro por causa do calor, mas não sei se isso foi feito”, narra ela. A tutora precisou esperar por mais de 12 horas para receber uma nova notícia. “Na sexta, às 19h, me ligaram falando que ela estava morta. Foi desolador,  é como perder um membro da sua família”. Gaia foi colocado dentro de um plástico e enviado em uma caixa de gelo de volta para São Luís. Jakeline, que estava em São Paulo com suas três filhas, esperando o animal, voltou para o Maranhão para resgatar o corpo no último domingo (30/6). “Pediram desculpas genéricas, ‘um sinto muito’, mas sem nenhuma explicação. Eles falam que o animal passou mal e não resistiu, mas ninguém fala porque isso aconteceu”, desabafa. Foto da cadela Gaia durante o transporte. Para Jakeline, cadela “não estava bem” A cadela passou a viver com a família em 2019, quando ainda era um filhote, e a sua morte está afetando principalmente as filha de Jakeline, que cresceram com Gaia. “Elas estão extremamente tristes, sem ânimo, não querem sair, não querem falar. Está sendo bem difícil”. Revoltada, a tutora e outros familiares levantaram a hashtag #justiçapelagaia, para chamar atenção de outros clientes da transportadora. Ela conta que optou pela empresa justamente por temer o transporte aéreo após o caso Joca, golden retriever que morreu durante um voo da Gol em abril deste ano. Pelos seu site, a MooviPet anuncia que faz o transporte de pets com conforto e “sem tratá-los como mercadoria”. O transporte terrestre de animais com tamanho semelhante ao de Gaia, do Maranhão a São Paulo, custa R$ 2.418,57 e dura cerca de 5 dias. Com a repercussão do caso, a empresa fechou os comentários de suas redes sociais. A MooviPet alega que tentou manter o corpo da cachorra resfriada, para que autoridades pudessem investigar, posteriormente, a causa da morte. O caso foi registrado em um boletim de ocorrência e está sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão.

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