Protocolo antissequestro de bebês: relembre casos que marcaram o DF

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Um projeto de lei proposto pelo Governo do Distrito Federal será analisado em caráter de urgência na Câmara Legislativa (CLDF). Os parlamentares da Casa receberam a proposta logo após o fim do recesso, no dia 1º de agosto. A matéria visa estabelecer um protocolo de segurança com ações para evitar os crimes de sequestro e rapto de recém-nascidos na capital do país.

O texto propõe medidas mais rígidas em unidades de saúde, como hospitais e maternidades, com a instalação de câmeras de segurança e controle do acesso do público às áreas onde os bebês ficam. Essas ações buscam prevenir situações como a de Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto, também conhecido como Pedrinho, que foi sequestrado no Distrito Federal nos anos 1980.

Levado poucas horas após o seu nascimento em um hospital no centro de Brasília, o caso de Pedrinho marcou a história da capital federal e do Brasil. A comoção em torno desse evento foi tamanha que, anos mais tarde, inspirou o sequestro realizado por Maria de Nazaré Esteves Tedesco, papel interpretado pela atriz Renata Sorrah, na novela “Senhora do Destino”, que fez grande sucesso ao ser transmitida pela TV Globo em 2005.

Caso Pedrinho


Pedrinho 1

5 imagens

Pedrinho, sequestrado na maternidade em 1986, atualmente é advogado do jogador de futebol Robinho

Pedrinho quando criança, em Aparecida de Goiânia (GO), onde morava com Vilma e Osvaldo
Pedro Júnior Rosalino, o Pedrinho

Pedro Júnior foi sequestrado da maternidade do hospital particular Santa Lúcia, na Asa Sul, 13 horas após o nascimento, em 21 de janeiro de 1986. Maria Auxiliadora Rosalino, mãe de Pedrinho, estava sozinha no Quarto 10 do hospital quando uma mulher se apresentou como assistente social, dizendo que era necessário levar o bebê para exames médicos.

Essa mulher era Vilma Martins Costa, que sequestrou Pedrinho e passou anos fingindo ser a mãe biológica da criança, como parte de um plano arquitetado. A história de Pedrinho inspirou o enredo da novela “Senhora do Destino”, onde o personagem Nazaré Tedesco foi baseado no caso de Pedrinho.

Pedrinho finalmente reencontrou seus pais biológicos após 16 anos de buscas e angústia. Atualmente, ele é advogado do jogador de futebol Robinho. A trajetória de Pedrinho, desde o sequestro na maternidade em 1986 até sua vida adulta, é marcada por reviravoltas e superações.

Imagens retratando momentos marcantes da vida de Pedrinho foram divulgadas, mostrando desde sua infância em Aparecida de Goiânia (GO) até sua atuação como advogado e suas conexões pessoais. Cada foto revela um pouco mais da história desse caso surpreendente e das consequências que teve na vida de todos os envolvidos.

A identidade de Pedrinho, também conhecido como Pedro Júnior Rosalino, foi construída ao longo dos anos, com desdobramentos emocionais e familiares complexos. Sua jornada, de vítima de um sequestro traumático a profissional de destaque, é um relato de resiliência e determinação.

A presença de Pedrinho nos meios de comunicação, tanto pela cobertura midiática de seu caso como por suas próprias escolhas e conquistas, o tornou um personagem conhecido do público brasileiro. Sua história continua a despertar interesse e reflexão sobre questões de identidade, família e justiça.

O caso de Pedrinho destacou a importância da segurança em ambientes hospitalares e a necessidade de medidas para prevenir sequestros de recém-nascidos. Sua história serve como alerta e inspiração para a sociedade, ressaltando a importância de proteger os mais vulneráveis e de buscar justiça em casos de crimes tão impactantes como esse.Um esquema foi elaborado por Vilma Aparecida de Oliveira em busca de forçar seu parceiro na época, Osvaldo Martins Borges, a abandonar sua família e se casar com ela. Assim, Pedrinho foi levado para Goiânia, adotando a identidade de Osvaldo Martins Borges Júnior, filho do casal, por um período de 16 anos. O enredo desse drama seguiu uma narrativa semelhante à vida real.

No ano de 2002, Maria Auxiliadora e Jairo Braule localizaram o menino, após suspeitas levantadas por uma parente de Vilma, que ouviu conversas sobre a possível hipótese de rapto de Osvaldo Júnior. Ao identificar semelhanças entre o jovem e fotos de seu pai biológico na infância, a família descobriu a verdade por trás do desaparecimento.

Em 8 de novembro daquele mesmo ano, os resultados de um exame de DNA confirmaram que Pedrinho era, de fato, o filho do casal brasiliense. Posteriormente, o jovem retornou à capital federal, mantendo, no entanto, contato constante com Vilma. Esta última acabou presa em 12 de maio de 2003, após confessar o crime, sendo condenada a cumprir pena em regime fechado.

Em um reencontro comovente após 38 anos, a história de Larissa de Almeida Ribeiro veio à tona em novembro de 2019, quando teve seu recém-nascido levado por uma impostora que se passou por funcionária do hospital onde o parto ocorreu. O bebê Miguel foi sequestrado dos braços de Larissa durante a madrugada do dia 28 daquele mês, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), sendo localizado horas depois no Hospital Regional do Ceilândia (HRC).

Devido à falha na segurança do HRT que permitiu o sequestro, a mãe da criança recebeu uma indenização de R$ 5 mil após processar o Governo do Distrito Federal (GDF) em 2021 pela negligência que resultou no sequestro. A resolução desse caso trouxe à tona a importância de medidas de segurança eficazes em instituições de saúde para evitar situações semelhantes e proteger as famílias vulneráveis.Casos de rapto de bebês e recém-nascidos são eventos que, para desespero das famílias, podem levar anos para serem descobertos. Entretanto, nenhum outro caso no Distrito Federal precisou esperar tanto tempo quanto o de Luís Miguel, que foi encontrado após 38 anos desaparecido.

Sueli Silva, com uma vida marcada por violências e abusos, passou sua gestação em cativeiro na casa de um casal conhecido da proprietária do orfanato onde ela cresceu. Aos 13 anos, ainda sob os cuidados do abrigo, foi vítima de estupro pelo filho da administradora da instituição. Esses abusos se repetiram, levando a vítima, que chegou a buscar ajuda da responsável pelo orfanato e tentar suicídio, a engravidar e ser enviada a Brasília para morar com um casal conhecido da agressora, que faleceu em 2012.

Em 9 de fevereiro de 1981, o filho de Sueli nasceu e foi levado da maternidade do Hospital Regional do Gama (HRG). Ao receber alta, foi levado para o carro do casal com quem vivia e que a mantinha em cativeiro após a morte da agressora. Sueli só teve notícias do filho em 2019, quando a polícia conseguiu resgatar Luís Miguel após uma longa investigação.

O reencontro entre mãe e filho foi marcado por forte emoção, e Sueli afirmou ter perdoado a sequestradora. Em uma entrevista, Sueli Gomes da Silva Rochedo relembrou os momentos de terror que viveu e superou ao longo dos anos. Em uma das fotografias, Sueli olha para a imagem dela própria segurando a filha mais velha, Juliana, que faleceu aos 15 anos, trazendo à tona lembranças dolorosas do passado.

Um cartão traz a data de nascimento do filho de Sueli, 09/02/1981, um lembrete tangível do tempo que passou separada dele. Apesar de todos os desafios enfrentados, a história de Sueli e Luís Miguel é um exemplo de resiliência e força diante de adversidades impressionantes. Os relatos desses momentos difíceis mostram a importância da união familiar e da superação em meio a situações extremas.Recentemente, um caso chocante de tentativa de sequestro de um recém-nascido em Brasília chamou a atenção das autoridades. Sueli Oliveira, mãe da criança, relatou que enquanto esperava o marido em um estacionamento, foi abordada por dois homens que afirmaram que ela estava em cárcere. Acompanhados por uma mulher com um lenço na cabeça, disseram que ela precisava ir a um orelhão ligar para a dona do orfanato.

A situação se tornou angustiante quando a criança ficou no carro e, ao retornar, Sueli não encontrou mais o bebê nem a mulher do lenço. Em uma entrevista ao Metrópoles em abril de 2019, Sueli detalhou: “[Na ligação,] ela [a dona do orfanato] disse que eu deveria entregar meu filho para adoção. Caso contrário, mandaria meus irmãos para um abrigo de menores infratores. Implorei, supliquei, mas ela não me deixava falar. Bateu o telefone e, quando voltei em direção ao carro, em prantos, meu filho não estava lá”.

Em resposta a essa grave ameaça, a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus) está envolvida na articulação de um projeto de lei para a criação de um protocolo “antissequestro”. Essa medida faz parte dos esforços do Governo do Distrito Federal (GDF) para assegurar que as famílias possam sair das maternidades com seus recém-nascidos de forma segura.

Mesmo com as diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para a identificação das crianças nas maternidades, o novo protocolo busca complementar a legislação federal com medidas inéditas, visando à proteção dos recém-nascidos e suas famílias.

Alguns pontos importantes desse protocolo incluem: restrições para a movimentação dos recém-nascidos nas dependências da maternidade, controle de acesso às unidades neonatais com identificação de todos que entram e saem, uso de pulseiras de identificação com código de barras ou chips para todos os recém-nascidos e mães, e monitoramento por câmeras de segurança em áreas de circulação e acesso restrito, com gravações armazenadas por pelo menos 30 dias.

Essas medidas têm como objetivo principal evitar episódios como o que Sueli Oliveira enfrentou e garantir a segurança e integridade das famílias no momento delicado do nascimento de seus filhos. A implementação desse protocolo “antissequestro” pode ser um passo importante na proteção das crianças e no combate a possíveis riscos de sequestro em maternidades.

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