Militares venezuelanos reiteram seu apoio absoluto a Nicolás Maduro. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (6), a Força Armada Nacional Bolivariana reafirmou sua fidelidade ao presidente e classificou como “desesperadas e sediciosas” as solicitações de apoio da oposição, diante das acusações de fraude nas eleições presidenciais de 28 de julho. A líder da oposição, MarÍa Corina Machado, e seu candidato Edmundo González Urrutia publicaram uma carta aberta na segunda-feira, defendendo sua vitória nas urnas e pedindo que os oficiais se posicionem “ao lado do povo”.
Hoje, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, refutou o documento opositor, classificando-o como um “panfleto”, e as solicitações de apoio como ações de “indivíduos desesperados e sediciosos”. Padrino destacou que tais apelos buscam desestabilizar a unidade e a institucionalidade do país, algo que, segundo ele, não será permitido. Ele ressaltou a total fidelidade à figura de Nicolás Maduro, legitimamente eleito para o próximo período presidencial de 2025 a 2031.
O Ministério Público iniciou uma investigação criminal contra Machado e González Urrutia, acusando-os de “incitação à insurreição” e outros delitos, como “conspiração”. Maduro chegou a afirmar que ambos deveriam estar “atrás das grades”. Enquanto a União Europeia, juntamente com os Estados Unidos e diversos países da América Latina, questiona a legitimidade da vitória do presidente chavista, solicitando o fim do que consideram uma “campanha de pressão judicial”.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), alvo de críticas da oposição por sua suposta parcialidade ao chavismo, proclamou Maduro como presidente reeleito para um terceiro mandato de seis anos, com 52% dos votos contra 43% de González Urrutia. Após a divulgação do primeiro boletim, iniciaram-se protestos que resultaram na morte de pelo menos 11 civis, de acordo com organizações de direitos humanos.
Maduro relatou a detenção de mais de 2.000 pessoas, além de informar sobre a morte de dois militares, atribuindo os protestos a um plano para derrubá-lo. O CNE não divulgou informações detalhadas sobre os resultados das eleições de 28 de julho, com seu site fora do ar desde então, alegando um ataque hacker, algo que especialistas contestam.
Machado e González afirmam possuir evidências da vitória da oposição, incluindo cópias de mais de 80% das atas de votação. Padrino ainda ressaltou que “essa corrente fascista” segue tentando promover a narrativa de uma vitória eleitoral baseada em pesquisas falsas e uma forte campanha midiática.
Além do controle armado, os militares detêm empresas estratégicas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as alfândegas e 12 dos 34 ministérios, incluindo pastas cruciais como Petróleo, Energia, Defesa, Relações Interiores e Comércio. A oposição e especialistas denunciam redes de corrupção que enriqueceram vários oficiais. Em meio a esse contexto tenso, Machado denunciou hoje uma “campanha de terror” após as prisões em massa e a ofensiva de Maduro contra redes sociais e plataformas de mensagens.O líder opositor vinculou a situação a um alegado “golpe de Estado ciberfascista”. Em declarações, Machado expressou preocupação com a própria segurança e afirmou: “Querem nos intimidar para que não nos comuniquemos, porque isolados seríamos muito mais fracos e isso não vai acontecer”.
Em um pedido para que não cedam à intimidação, a líder opositora ressaltou: “Isso é irreversível”. Maduro, por sua vez, convocou seus apoiadores a boicotar o WhatsApp, alegando que militares, policiais e líderes comunitários que o apoiam receberam “ameaças” através deste aplicativo. Atualmente, o futuro da eleição está sob a análise da corte suprema, à qual Maduro solicitou que “certifique” o resultado.
A Sala Eleitoral do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) chamou os candidatos e representantes dos partidos para entregarem documentos e “responderem a perguntas” relacionadas ao caso. González Urrutia está agendado para comparecer na quarta-feira e Maduro na sexta-feira. Tanto acadêmicos quanto dirigentes políticos estão questionando a decisão de levar o caso ao TSJ, visto pela oposição como um “apêndice” do chavismo.
*Com informações da AFP
Publicado por Carolina Ferreira

Comentários do Facebook