A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que está exilada, quebrou o silêncio e culpou os Estados Unidos pela queda de seu governo. Hasina acusou o governo americano de estar por trás dos protestos em massa que a obrigaram a deixar o poder após um período de intensa violência, levando-a a se refugiar na Índia. Em uma mensagem transmitida aos seus apoiadores do partido Liga Awami e republicada por diversos veículos de comunicação indianos, Hasina declarou: “Eu poderia ter permanecido no poder se tivesse cedido Saint Martin e a baía de Bengala aos Estados Unidos.” Essas afirmações surgem em meio a tensões com os EUA e alegados planos de Hasina para estabelecer uma base aérea na baía de Bengala, conforme relatado por um jornal.
Após renunciar em meio a protestos que resultaram em mais de 400 mortes, Hasina explicou que sua renúncia aconteceu para evitar um número maior de vítimas, pois os radicais buscavam alcançar o poder através da violência. A ex-primeira-ministra acrescentou: “Eles queriam conquistar o poder à custa das vidas dos estudantes, mas eu não permiti ao renunciar. Eu poderia ter continuado no poder abdicando da soberania sobre Saint Martin, permitindo que os EUA controlassem a baía de Bengala. Peço aos meus compatriotas que não se deixem enganar pelos radicais.” Também lamentou a suposta morte de líderes da Liga Awami e o assédio a seus apoiadores após sua renúncia.
Sheikh Hasina fugiu do país no dia 5 deste mês, após semanas de tumultos iniciados como um movimento estudantil contra um sistema de cotas considerado discriminatório. Os protestos culminaram em manifestações violentas e na queda do governo, levando à instauração de um novo governo interino em Bangladesh, liderado por Muhammad Yunus, vencedor do Prêmio Nobel. Enquanto Hasina se encontra em Nova Délhi, o desafio atual é restaurar a estabilidade em Bangladesh, país marcado pela agitação e pelos 15 anos de governo de Hasina, conhecida como a “dama de ferro” de Bangladesh.
A ex-primeira-ministra expressou sua gratidão pela defesa incessante da Liga Awami, partido ao qual pertence, e afirmou que sempre orará pelo futuro de Bangladesh, país pelo qual seu pai lutou e pelo qual sua família sacrificou suas vidas. Este é o primeiro pronunciamento de Hasina desde sua renúncia, sendo um momento crucial para entender os desdobramentos políticos na nação asiática. Os eventos recentes em Bangladesh evidenciam a complexidade e a intensidade das disputas de poder que moldam o cenário político do país.
*Com informações da EFE
Publicado por Marcelo Bamonte

Facebook Comments