Em audiência na AL-BA, MP defende implantação do modelo prisional alternativo; GT deve ser criado

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) defendeu a implementação de um modelo prisional alternativo ao tradicional durante uma audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa (AL-BA) na terça-feira (13). A solicitação da audiência partiu do MP, que apoia a implementação da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) na Bahia.

O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Execução Penal (Gaep), promotor de Justiça Edmundo Reis, explicou que esse modelo tem como foco a valorização humana e um dos benefícios é a redução da reincidência no sistema prisional. Enquanto a reincidência no sistema prisional convencional varia de 70% a 80% no Brasil, a Apac apresenta um índice de 13,9%.

Na audiência, além de Edmundo Reis, a promotora de Justiça Márcia Munique de Oliveira e a promotora de Justiça Andréa Ariadna estiveram presentes, com o deputado estadual Bobô (PCdoB) conduzindo o encontro. Foi decidida a formação de um grupo de trabalho na AL-BA para realizar estudos e discussões sobre a implementação do modelo Apac no estado.

Edmundo Reis ressaltou que nesse modelo, a ênfase está na conscientização e disposição do preso em se reintegrar à sociedade, sendo apoiado pela comunidade durante o processo. Além disso, ele destacou que é um sistema mais econômico para o Estado, com metade do custo do sistema convencional, e mais humanizado, respeitando a dignidade do preso durante o cumprimento da pena.

“A finalidade da privação da liberdade não é apenas separar a pessoa do convívio social, mas reintegrá-la para quebrar o ciclo de crimes e impedir que o sistema se torne uma porta giratória, onde as pessoas entram e saem”, enfatizou o promotor de Justiça. Edmundo Reis mencionou que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) incentiva os MPs a promover a implantação de Apacs nos estados.

A promotora de Justiça Márcia Munique destacou que o modelo, originado em São Paulo e já instalado em Minas Gerais, trouxe resultados positivos. Ela enfatizou que a Apac é uma alternativa viável para a recuperação em larga escala, sem substituir o sistema prisional tradicional.

Valdeci Ferreira, fundador da Apac de Itaúna, em Minas Gerais, e assessor do método Apacna ONU, argumentou que pensar que prender resolve a criminalidade é um equívoco, pois as prisões muitas vezes são verdadeiras escolas do crime. Segundo ele, a Apac representa uma revolução no sistema prisional, focando na recuperação do indivíduo e também no apoio às famílias do preso e da vítima.

A audiência contou com a presença de diversos participantes, incluindo desembargadores, defensores públicos, representantes de secretarias e da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB), assim como membros da sociedade civil e estudantes de Direito da Unifacs.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Polícia Militar recupera motocicleta com restrição de furto/roubo em Teixeira de Freitas

Teixeira de Freitas, BA — A Polícia Militar da Bahia, por meio da 87ª Companhia Independente de Polícia Militar (87ª CIPM), recuperou uma...

Papa Leão XIV se manifesta em apoio às vítimas das enchentes em MG

Chuvas na Zona da Mata MG deixam dezenas de mortos; Papa Leão XIV manifesta apoio às vítimas Palavras-chave: enchentes Minas Gerais, Juiz de Fora,...

VÍDEO: Ivete Sangalo revela que fará cirurgia neste domingo após acidente em casa

Ivete Sangalo revelou que vai passar por uma cirurgia no domingo (1º), conforme informou durante seu segundo show com o Coro do Tabernáculo...