Químico do PCC a caminho de ser extraditado para o Paraguai

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Nesta terça-feira (13/8), a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao ministro Luiz Fux, do STF, um parecer favorável à extradição de Eray Uç ao Paraguai.

Eray Uç, com 36 anos, foi detido com 16 quilos de substâncias entorpecentes no litoral de São Paulo em junho de 2023 e é identificado pelas autoridades como sendo “químico do PCC”. O governo paraguaio solicitou sua extradição para enfrentar acusações de tráfico internacional de drogas no país.

Eray Uç é procurado no Paraguai devido à apreensão de 51 rolos de cocaína no Aeroporto Guarani, em Ciudad del Este, em dezembro de 2017. O carregamento estava destinado a Istambul, na Turquia.

No documento encaminhado a Fux, o subprocurador-geral da República Artur de Brito Gueiros Souza destacou que o processo no Paraguai cumpre os requisitos formais para a extradição, e o governo paraguaio concordou em cumprir os termos previstos na Lei de Migração para receber o acusado turco.

Conforme recentemente revelado, a Interpol na Turquia, terra natal de Eray Uç, também demonstrou interesse na extradição e solicitou à Polícia Federal prioridade no caso.

Para competir com o pedido paraguaio, a Interpol turca argumentou que Uç, enquanto cidadão turco, é procurado não apenas por tráfico, mas também por falsificação de documentos oficiais em seu país. Acrescentou que Eray Uç tem penas pendentes na justiça turca, enquanto no Paraguai, ele é procurado por acusações de tráfico.

Apesar do contato direto com a PF, o Ministério da Justiça informou ao STF, no final de julho, que o Itamaraty consultou o governo turco sobre o interesse na extradição de Eray Uç, mas ainda aguarda uma resposta diplomática.

“Químico do PCC” e Ligação com o Hezbollah

Eray Uç foi detido em junho de 2023 pela polícia em Praia Grande, litoral de São Paulo, na posse de oito quilos de maconha e oito quilos de dry marroquino, uma forma potencializada de haxixe que pode custar até R$ 60 por grama. Por esse motivo, ele foi sentenciado a 6 anos e 6 meses de prisão por tráfico de drogas em São Paulo.

Segundo a Interpol, Eray circulava no Brasil com uma identidade falsa em nome de seu irmão, Garip Uç. Tanto que é o nome de Garip, e não de Eray, que consta na sentença judicial de São Paulo. Atualmente, o turco está detido na penitenciária de Itaí (SP).

A decisão da 1ª Vara Criminal de Praia Grande menciona informações da polícia que descrevem o turco como um “químico do PCC”, responsável pela produção do dry marroquino. Um dos policiais que o deteve afirmou em depoimento no processo que Eray Uç admitiu que “utilizava conhecimentos adquiridos na Turquia para produzir a droga”.

O turco detido no Brasil foi mencionado em uma audiência na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, em 17 de abril de 2018, como integrante da gangue de traficantes liderada por Ali Issa Chamas, cujas atividades foram associadas ao Hezbollah.

Conforme o relatório da audiência do Subcomitê de Contraterrorismo e Inteligência, ligado ao Comitê de Segurança Interna da Câmara, Chamas fornecia “apoio material à organização terrorista” pagando taxas para permitir a entrada de cocaína no Líbano. Ele foi deportado para os EUA em junho de 2017.

 

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