Ucrânia afirma que incursão na Rússia busca negociações ‘justas’

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A nação da Ucrânia conduziu uma ofensiva na região russa de Kursk com o intuito de pressionar Moscou a participar de negociações que possam encerrar quase dois anos e meio de conflito. As forças ucranianas realizaram um ataque surpresa na fronteira em 6 de agosto, marcando a maior incursão de um exército estrangeiro em território russo desde o final da Segunda Guerra Mundial. Após dez dias de avanços, Kiev declarou controle sobre 1.150 km² e 82 cidades russas, incluindo Sudzha, localizada a 10 km da fronteira e crucial para o transporte de gás para a União Europeia através da Ucrânia. A operação transferiu o conflito para o território russo, dando continuidade aos eventos iniciados em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, tomando vastas regiões do leste e sul da ex-república soviética. A Ucrânia apresentou diversas razões para justificar seu ataque, como pressionar Moscou a retirar tropas de outras áreas da linha de frente ou estabelecer uma “zona de segurança” contra ataques provenientes do território russo. No entanto, está claro que Kiev também pretende usar os territórios russos conquistados como barganha em futuras negociações com o Kremlin.

“A ação militar é um meio objetivo de persuadir a Rússia a entrar em um processo de negociações justas”, afirmou Mikhail Podoliak, conselheiro do presidente Volodymyr Zelensky, em publicação na rede social X (antigo Twitter) nesta sexta-feira. Apesar de salientar que a Ucrânia não busca “ocupar” parte do território russo, Podoliak destacou a importância de encontrar uma maneira para que a Rússia participe de “possíveis” negociações. Um diplomata ucraniano instou a Rússia, na terça-feira, a aceitar uma “paz justa” sob os termos propostos pela Ucrânia.

Divergências nas exigências As discussões estão emperradas desde o início do conflito, devido às exigências difíceis de conciliar. Zelensky expressou o desejo de elaborar um plano antes das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, seu principal aliado, que servirá como base para uma futura cúpula de paz. O presidente reitera que a paz só será alcançada se o exército russo se retirar completamente do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia anexada em 2014. Por outro lado, seu homólogo russo, Vladimir Putin, condiciona as negociações à renúncia da Ucrânia aos territórios ocupados por Moscou e também à desistência da adesão à Otan, demandas consideradas inaceitáveis pela Ucrânia e seus aliados ocidentais.

“Deixamos tudo para trás” Pelo menos 12 civis foram mortos e 121 ficaram feridos nos primeiros dias da ofensiva ucraniana, conforme autoridades russas relataram, porém sem atualizar os números desde segunda-feira. Em Kursk, distante dos combates, dezenas de pessoas se abrigaram emergencialmente na quinta-feira enquanto fugiam de suas casas. “Não sabemos o que fazer. Choramos dia e noite”, lamentou Zinaida Tarasiuk, uma aposentada de 70 anos, à AFP. “Deixamos tudo para trás”. As evacuações, com auxílio próprio ou das autoridades, ocorrem em meio aos embates.Na região foi registrado um bombardeio proveniente de Moscou que resultou na morte de dois trabalhadores humanitários russos que estavam participando de uma operação de evacuação. O incidente ocorreu nesta sexta-feira, de acordo com relatos da sua organização.

Enquanto a ofensiva russa no oeste ganha destaque, a maior parte dos confrontos ainda se concentra no leste da Ucrânia. Lá, as forças russas continuam mantendo a sua liderança sobre o Exército ucraniano, que sofre com escassez de soldados e suprimentos militares. Nesta sexta-feira, Moscou anunciou a conquista de mais uma cidade, Sergiivka, localizada a aproximadamente 15 quilômetros de Pokrovsk, que é um importante ponto logístico na rota para os redutos de Chasiv Yar e Kostantinovka. No mesmo contexto, na terça-feira, as forças russas comunicaram a tomada de outra cidade nessa região, avançando desde o início de maio. O Exército mencionou ainda que conseguiu frustrar um ataque durante a noite em que 12 mísseis ATACMS dos Estados Unidos foram lançados pelas forças ucranianas contra a ponte da Crimeia, conectando a península à Rússia. Autoridades russas informaram que sete civis ficaram feridos em um ataque ucraniano contra um centro comercial em Donetsk, cidade localizada no leste da Ucrânia e sob controle de Moscou desde 2014.

Com informações da AFP. Publicado por Luisa Cardoso.

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