Saiba o que aconteceria se o Sistema Solar tivesse uma superterra

Superterras são planetas com massa maior do que a da Terra, mas menor do que a de gigantes gasosos como Netuno. Esses corpos celestes são comuns em sistemas estelares distantes e, frequentemente, orbitam suas estrelas a uma distância relativamente próxima.

O Sistema Solar não abriga nenhuma superterra – mas, como a presença de um planeta desse tipo poderia influenciar a dinâmica do espaço ao nosso redor?

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Os planetas intertnos do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) seriam os mais impactados pela presença de uma superterra na vizinhança. Crédito: Vadim Sadovski – Shutterstock

Inspirados por essa lacuna, os cientistas Emily Simpson e Howard Chen, do Instituto de Tecnologia da Flórida (FIT), nos EUA, conduziram simulações para entender como seria o impacto de uma superterra localizada entre Marte e Júpiter, no principal cinturão de asteroides. 

De acordo com a pesquisa, caso os planetas gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) tivessem se formado com menos massa durante a fase inicial do Sistema Solar, poderia haver espaço e material suficiente para o surgimento de uma superterra naquela região.

Os pesquisadores investigaram como esse mundo hipotético afetaria a estabilidade das órbitas dos planetas vizinhos, especialmente os planetas internos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

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Pesquisa simulou a presença de uma superterra no cinturão de asterides entre Marte e Júpiter. Crédito: Buradaki – Shutterstock

Leia mais:

  • Caçador de exoplanetas da NASA descobre mundo semelhante a Saturno e oito superterras
  • Superterra monstruosa é uma das maiores já descobertas
  • Mundos semelhantes à Terra com oceanos e continentes podem ser encontrados 

Terra poderia ter as mesmas características de Vênus

A equipe criou modelos matemáticos considerando planetas de diferentes tamanhos, de 1% a 1.000% a massa da Terra. As simulações, que representavam milhões de anos, analisaram os efeitos nas órbitas e inclinações dos planetas, fatores cruciais para a habitabilidade, pois determinam a regularidade das estações e a intensidade de suas variações climáticas.

Os resultados mostraram que superterras com até duas vezes a massa da Terra teriam impactos moderados. “Poderíamos ter verões ligeiramente mais quentes ou invernos mais rigorosos, mas o Sistema Solar interno ainda seria habitável”, diz Simpson em um comunicado. 

Planetas maiores, no entanto, gerariam mudanças drásticas. Um mundo com 10 vezes a massa terrestre, por exemplo, poderia deslocar a Terra para fora da zona habitável – a região em que a temperatura permite água líquida na superfície – aproximando-a de condições extremas como as de Vênus.

Além de ajudar a entender nosso Sistema Solar, esses estudos também fornecem pistas para identificar exoplanetas em outros sistemas. Simpson explica que “se encontrarmos um sistema semelhante ao nosso, mas com uma superterra onde hoje há um cinturão de asteroides, a habitabilidade dependerá do tamanho desse planeta”.

Publicada na revista científica Ícarus, a pesquisa oferece um vislumbre das complexas interações que moldam a estabilidade cósmica e destaca a importância de compreender as condições que tornam um planeta capaz de sustentar a vida.

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