Opinião: Adolfo Menezes deve enfrentar na Assembleia a mesma tranquilidade que Hugo Motta e Davi Alcolumbre viveram no Congresso

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No Congresso Nacional, as eleições legislativas transcorreram em extrema tranquilidade. Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito presidente da Câmara, enquanto Davi Alcolumbre (União-AP) reassumiu o Senado. Na Bahia, espera-se uma situação muito semelhante. Adolfo Menezes (PSD) deverá ser reconduzido para o terceiro mandato como presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) sem enfrentar grandes oposições.

No entanto, a grande incógnita reside no período pós-eleição. A PEC Adolfo Menezes, que viabilizou a reeleição dentro da mesma legislatura, foi aprovada em 2023. No entanto, a aplicação prática desta medida pela primeira vez desperta questionamentos, especialmente depois que a AL-BA rejeitou reeleições consecutivas durante a gestão de Marcelo Nilo. A possibilidade de contestação judicial paira no ar, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) interpretou anteriormente que a Constituição Federal não respalda a perpetuação de um indivíduo no poder.

Houve um acordo entre os membros para evitar a judicialização contra a reeleição de Adolfo. A ameaça de seu afastamento perdeu força a ponto do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), desistir de concorrer para primeiro-vice – um posto cobiçado pelo petista. Apesar disso, o PSD e Angelo Coronel pressionaram fortemente, garantindo que o segundo no comando continue sendo do partido, com Ivana Bastos, e especula-se sobre possíveis alterações no Regimento Interno para convocar novas eleições imediatamente em caso de impedimento.

Os elementos Hilton Coelho (PSOL) e Ministério Público são variáveis imprevisíveis nesse cenário. Caso optem por questionar o processo eleitoral judicialmente, a calmaria de Adolfo poderá ser interrompida mesmo após uma vitória esmagadora. Ninguém deseja confrontar quem detém o poder, e a postura tranquila do presidente neutralizou qualquer possível opositor antes mesmo de sua emergência. Com isso, colegas parlamentares e partidos evitarão tensões desnecessárias com uma figura que não as incita.

De toda forma, os legisladores da Bahia testemunharão a continuidade de um presidente da Assembleia por mais de dois mandatos, com apenas interrupções de Angelo Coronel e Nelson Leal (PP) entre duas gestões. Adolfo Menezes indicou sua preferência em não se manter por um período prolongado. Entretanto, se os rumos da política persistirem nessa direção, será desafiador contê-lo. Essa é a dinâmica democrática. Assim como no Congresso Nacional no sábado, assim será na AL-BA.

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