TJDFT: candidato pardo reprovado por banca continuará em concurso

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A decisão da 3ª Vara Cível de Brasília determinou que a Petrobras e o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) mantenham no concurso da estatal um candidato que havia sido reprovado pela banca de heteroidentificação racial. Ainda cabe recurso da decisão.

O candidato em questão se inscreveu para concorrer às vagas no cargo de projetos, construção e montagem – mecânica. Mesmo sendo aprovado na primeira fase do processo seletivo, acabou por ser desclassificado após não ter sua raça reconhecida pela comissão durante o procedimento de heteroidentificação destinado a candidatos autodeclarados negros.

O autor do processo recorreu administrativamente, sem sucesso, diante da negativa reiterada. A justificação da comissão foi baseada na ausência de características fenotípicas que identificassem o candidato como negro – pardo ou preto.

A juíza responsável pelo caso observou que a banca de heteroidentificação, composta por cinco integrantes, não chegou a um consenso unânime sobre a condição racial do candidato.

Diante dessa situação, considerando a razoável dúvida quanto à condição do candidato como pessoa negra (preta ou parda), a magistrada entendeu que a presunção de veracidade da autodeclaração deve prevalecer.

Além disso, a juíza argumentou que, embora o Judiciário em geral não deva interferir no mérito administrativo para substituir decisões de bancas examinadoras, em casos de flagrante ilegalidade, a intervenção se faz necessária para correção.

Concluindo, a magistrada ressaltou que, devido à existência de uma dúvida razoável acerca da condição de pardo do candidato, evidenciada na discordância de avaliações entre um membro da comissão examinadora, um membro da comissão recursal e o próprio juízo em relação ao resultado final da fase de heteroidentificação, a participação do candidato no concurso deve ser mantida.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Por unanimidade, STF derruba lei de SC que proibiu cotas raciais nas universidades

Resumo: o plenário do Supremo Tribunal Federal derrubou a lei de Santa Catarina que proibiu a reserva de cotas raciais para o ingresso...

Número de agentes baleados este ano é igual todo ano de 2025 na RMS; quatro policias foram baleados nas últimas 24h

Resumo rápido: Salvador e a Região Metropolitana vivem um início de ano marcado pela violência contra agentes de segurança. Entre 1º de janeiro...

Procon vê conotação sexual e proíbe venda de linha de doces Fini em MG

Resumo: O Procon-MPMG, órgão vinculado ao Ministério Público de Minas Gerais, determinou a suspensão da venda de três chicletes da marca Fini —...