“OAB dos médicos”: projeto cria exame obrigatório de proficiência em medicina

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Projeto de lei propõe a criação de um exame obrigatório de proficiência em medicina, semelhante ao da OAB para advogados. O PL 2.294/2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), determina que os egressos de medicina devem ser submetidos a um Exame Nacional de Proficiência em Medicina para obterem a licença para exercer a profissão. A prova, que deverá ser realizada pelo menos duas vezes por ano em todos os estados e no Distrito Federal, avaliará competências profissionais, éticas, conhecimento teórico e habilidades clínicas, com o intuito de assegurar a qualidade da formação dos futuros médicos.

Segundo o especialista em Direito Médico Washington Fonseca, a medida é crucial para garantir a qualidade dos serviços de saúde fornecidos à população diante do aumento no número de faculdades de medicina no país. A proposta prevê que os profissionais já registrados nos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e os estudantes matriculados antes da vigência da lei serão dispensados da realização do exame.

O texto do projeto justifica a necessidade do exame com base na precariedade na formação dos médicos, evidenciada pelos baixos índices de aprovação em exames anteriores realizados em São Paulo. Erros de diagnóstico e conduta médica podem acarretar graves consequências, elevando custos aos sistemas de saúde e colocando em risco a vida dos pacientes.

Posicionamentos em relação ao projeto

A regulamentação e coordenação do exame ficarão a cargo do Conselho Federal de Medicina (CFM), cabendo aos Conselhos Regionais de Medicina a aplicação da prova. Os resultados deverão ser comunicados ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério da Saúde, uma questão questionada por parlamentares contrários à proposta.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) solicitou uma audiência pública para discutir o projeto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), argumentando que a iniciativa transfere competências do MEC para o CFM e cria obstáculos à formação dos estudantes. Washington Fonseca discorda dessa visão e defende que o exame garante a competência dos profissionais no mercado de trabalho.

Em contraponto, a médica Caroline Daitx destaca que, embora seja importante a avaliação da formação médica, um exame único não é suficiente para avaliar todas as competências necessárias para o exercício da medicina. Ela ressalta a importância de focar não apenas na aprovação em uma prova, mas na construção contínua da responsabilidade médica ao longo da formação.

A matéria, que conta com apoio do CFM, aguarda debate após a Semana Santa e pode seguir diretamente para a Câmara dos Deputados caso seja aprovada na CAS. O projeto visa assegurar a qualidade da formação médica no Brasil e proporcionar um atendimento mais seguro e qualificado à população.

Chamado à ação: Compartilhe sua opinião sobre a proposta de criação do exame obrigatório de proficiência em medicina. Qual a sua visão sobre a necessidade desse tipo de avaliação para os futuros médicos do país?

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CEO da Enel diz que só ‘Jesus Cristo’ pode resolver apagões em SP

No Enel Capital Markets Day 2026, realizado em Milão, o CEO Flavio Cattaneo destacou os desafios da rede de São Paulo, dizendo que...

Hytalo Santos e o marido são condenados por exploração sexual de menores

O influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, foram condenados em primeira instância pelo Tribunal de Justiça da Paraíba por exploração de...

Ubatuba decreta situação de emergência após chuvas no fim de semana

Ubatuba decreta estado de emergência em todo o município após o fim de semana de chuvas severas. Pelo menos 15 famílias ficaram desabrigadas...