STF forma maioria para derrubar manobra pró-Ramagem da Câmara que daria brecha a Bolsonaro

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta sexta-feira (9) para rejeitar a manobra da Câmara que beneficiava o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), decidindo pela suspensão parcial do processo contra ele, que é acusado de envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022. Essa decisão contrasta com a tentativa da Câmara de suspender totalmente a ação penal, ressaltando que sua ação não impede o prosseguimento do processo contra outros réus, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ministro relator, Alexandre de Moraes, votou contra a paralisação completa do processo, sendo acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino, enquanto aguarda o voto de Cármen Lúcia. Moraes enfatizou a impossibilidade de a imunidade parlamentar se aplicar a crimes anteriores à diplomação, frisando que a Constituição não concedeu à Câmara a capacidade de interromper atividades jurisdicionais do STF.

Moraes também determinou a suspensão da prescrição dos crimes supostamente cometidos por Ramagem, que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), seria parte do núcleo central do grupo que planejou o golpe. Flávio Dino, em um voto contundente, criticou a tentativa da Câmara de ultrapassar suas atribuições e interferir no processo judicial.

O julgamento, que ocorre no plenário virtual da Primeira Turma, finalizará até a próxima terça-feira (13). Ramagem enfrenta cinco acusações, incluindo associação criminosa armada e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. A Constituição exige que o Judiciário consulte o Congresso ao abrir ações penais contra parlamentares por crimes cometidos após a diplomação.

As tentativas da Câmara de barrar a ação penal, realizadas através de um projeto que visava suspender a tudo que envolvesse Ramagem e outros réus, foram desconsideradas pelo STF. A proposta, que recebeu apoio de partidos da base do governo Lula, foi aprovada com 315 votos a favor e 143 contra.

Vários ministros do STF consideraram a decisão da Câmara inconstitucional e reforçaram a limitação das atribuições legislativas nesse caso, deixando claro que apenas a parte relativa aos crimes após a diplomação pode ser suspensa. A situação continua em desenvolvimento e os desdobramentos da decisão do STF prometem repercutir no cenário político.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Tesouro arqueológico do tempo da escravidão é descoberto em casarão de Ouro Preto. Vídeo

Belo Horizonte - No coração da antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, uma reforma em um sobrado de 260 anos revelou um tesouro...

Eden Valadares deve integrar coordenação da campanha de reeleição de Lula após pedido do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja ampliar a coordenação nacional de sua campanha de reeleição para 2026. Entre os nomes cotados...

IRPF: 25 milhões de declarações já foram entregues. Confira data final

Resumo: até 18 de maio, cerca de 25 milhões de declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) já foram entregues, sinalizando...