Cofre: alvo da Overclean tem gavetas abarrotadas de dinheiro no closet

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Na manhã da última sexta-feira (27/6), a Polícia Federal desmantelou um inquietante esquema de corrupção durante a quarta fase da Operação Overclean, encontrado nada menos que dinheiro em espécie escondido em gavetas de um closet. A operação, realizada sob determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), também resultou no afastamento de três prefeitos suspeitos de estar envolvidos nesse intricado jogo de fraudes.

Essa nova etapa se concentra em um complexo núcleo político que, entre 2021 e 2024, desviou recursos públicos através de contratos de emendas parlamentares. Mandados de busca e apreensão foram executados em várias cidades baianas, como Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga. Investigações revelaram conexões diretas entre os líderes afastados e o deputado federal Félix de Almeida Mendonça Júnior (PDT-BA), que, embora não tenha sido alvo nesta fase, está sob a mira das autoridades.

O grupo atuava de maneira organizada, liberando recursos federais em troca de vantagens indevidas, além de manipular licitações para beneficiar empresas previamente escolhidas. Os crimes em investigação vão de corrupção ativa e passiva a peculato, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entenda a Operação Overclean
A Operação Overclean, lançada em 10 de dezembro de 2024, é uma ação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal do Brasil (RFB) e Controladoria-Geral da União (CGU), com apoio da agência americana Homeland Security Investigations (HSI). O objetivo primordial é investigar desvios de recursos públicos federais, especialmente originados por emendas parlamentares destinadas aos municípios da Bahia.

O foco inicial recaiu sobre o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que foi detido pela PF. Moura é considerado o elo entre a administração pública e os empresários favorecidos. Durante as buscas em seu cofre, a PF descobriu uma escritura de imóvel relacionada ao deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que também nega qualquer envolvimento.

Documentos apreendidos revelaram mais de R$ 1,4 bilhão em contratos públicos sob suspeita. Pelo menos 100 pessoas foram identificadas como participantes deste esquema, muitas conhecidas apenas por apelidos, que atuavam em vários estados, incluindo Bahia, Rio de Janeiro e Amapá.

Nas fases anteriores da operação, a PF já havia apreendido mais de R$ 1 milhão em dinheiro, que parte foi lançada por uma janela pelo vereador Francisquinho Nascimento (União), primo do deputado Elmar. Felizmente, o montante foi recuperado pelos investigadores.

Relatórios da CGU de 2024 indicaram a assinatura de contratos que totalizavam R$ 825 milhões, com evidências de superfaturamento que superavam R$ 8 milhões apenas em contratos do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs).

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