PSol contesta norma do CFM que proíbe terapia hormonal a jovens trans

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Recentemente, a bancada feminista do PSol na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) tomou a iniciativa de se manifestar contra a nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Essa norma, que entrou em vigor em abril, proíbe o uso de bloqueadores hormonais em crianças e adolescentes trans, reformulando assim as diretrizes anteriormente permitidas.

Até então, a Resolução nº 2.265/2019 autorizava o bloqueio da puberdade a partir do estágio Tanner 2 e a terapia hormonal cruzada a partir dos 16 anos. Com a nova regra, a idade mínima para a realização de cirurgias de redesignação sexual foi elevada para 21 anos, antes permitida a partir dos 18.

1 2025 06 23T133441.016

O PSol apresentou uma ação judicial pedindo a revogação imediata dessa medida, que também é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido argumenta que a normativa fere os direitos sexuais e reprodutivos, colocando em risco a saúde mental e física de jovens em transição de gênero, que já enfrentam uma realidade de vulnerabilidade social.

De acordo com o partido, ao proibir esses tratamentos, o CFM pode gerar sérios problemas de saúde mental, como depressão e isolamento social. Além disso, a proibição pode empurrar jovens em busca de apoio a alternativas clandestinas e potencialmente perigosas.


Entenda a Resolução nº 2.427/2024

  • A resolução proíbe bloqueadores hormonais em menores de idade, exceto em casos específicos como doenças endócrinas.
  • A terapia hormonal cruzada foi proibida para menores de 18 anos, assim como procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero com efeito esterilizador para pessoas abaixo de 21 anos.
  • Pesquisadores da USP criticaram a resolução, ressaltando que a proibição pode afetar a saúde mental e física dos jovens trans.
  • O Ministério Público Federal já se manifestou contra a resolução no STF.

Outros questionamentos

A ação do PSol menciona ainda a nota conjunta de várias associações, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que alerta para os danos que a resolução pode causar à saúde da população trans, já vulnerável socialmente. Pesquisadores da USP também publicaram críticas à nova norma, destacando seu impacto negativo para jovens em processo de afirmação de gênero.

O que diz o CFM

A decisão do CFM, por sua vez, é defendida como uma medida de precaução, alegando uma “baixa evidência científica” sobre os efeitos a longo prazo de tais tratamentos. O relator da norma, Raphael Câmara, enfatizou que a resolução foi elaborada com responsabilidade científica e social.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Veterinária comete engano e aplica injeção em tutora e não em cachorra

Resumo: Em Vinhedo, interior de São Paulo, uma tutora foi atingida por uma injeção destinada à cachorra durante atendimento na Clínica Veterinária Pet...

Metanol: homem na Grande SP se torna 54º caso de intoxicação no estado

Um homem de 51 anos foi internado com intoxicação por metanol em São Bernardo do Campo, elevando para 54 o total de casos...

Chefe do PCC preso na Bolívia chega ao Brasil e é recolhido pela PF

Resumo: A Polícia Federal recebeu em Campo Grande (MS) o traficante Gerson Palermo, apontado como um dos principais chefes do PCC, capturado na...