Estudante aprovada em medicina tem matrícula cancelada após questionamento sobre autodeclaração étnico-racial

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Samille Ornelas, uma jovem baiana de 31 anos, alcançou um sonho ao ser aprovada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2024. Após anos de esforço e dedicação, ela se tornou a primeira de sua família a conquistar uma vaga em uma instituição pública, utilizando o sistema de cotas. Contudo, sua trajetória foi interrompida de forma inesperada após um questionamento sobre sua autodeclaração étnico-racial, onde foi considerada “inapta” pela banca de heteroidentificação, que alegou que não apresentava as “características fenotípicas de uma pessoa parda”.

A decisão pegou Samille de surpresa, já que nunca havia enfrentado essa discussão antes. Em busca de reverter a situação, ela enviou um novo vídeo reafirmando sua autodeclaração, mas teve seu recurso indeferido. Após um intenso ano de batalha judicial, conseguiu uma liminar favorável que obrigou a universidade a efetuar sua matrícula em um prazo de 30 dias. A medida foi cumprida apenas dois dias antes do início das aulas, dificultando seu ajuste à nova realidade acadêmica.

Após completar o semestre letivo, Samille foi surpreendida ao descobrir que seu acesso aos sistemas da universidade havia sido bloqueado. Investigando a situação, soube que sua matrícula havia sido cancelada devido à reversão da liminar por um desembargador, que considerou insuficientes as evidências apresentadas, incluindo um laudo antropológico que examinou traços fenotípicos como formato do nariz, boca e textura do cabelo.

Em um vídeo, a estudante expressou sua frustração ao ver sua história de superação sendo desconsiderada. Ela busca apoio para que seu caso ganhe a devida visibilidade e seja reavaliado, argumentando que cumpriu todos os critérios necessários para a vaga, e que o cancelamento de sua matrícula simboliza um desrespeito a um direito conquistado após 12 edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A história de Samille ressoa com muitos que enfrentam desafios em suas jornadas educacionais. Compartilhe sua opinião nos comentários e apoie essa luta por justiça e igualdade!

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