STJ: ex-deputado vai ter que pagar R$ 40 mil a “funcionário fantasma”

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Na mais recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a 3ª Turma determinou que o ex-deputado estadual Basílio Zanusso pague R$ 40 mil em indenização por danos morais ao administrador Sidnei Dacome. O caso, que remonta a um escândalo em sua gestão na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), revela a utilização do nome de Dacome como um “laranja” e um “funcionário fantasma” durante dois anos, sem seu consentimento.

A situação veio à tona quando, em dezembro de 2014, Dacome, ao pesquisar seu próprio nome online, descobriu que havia uma exoneração publicada em seu nome, datada de 2000. A defesa de Dacome ressaltou que ele nunca teve qualquer vínculo empregatício com a Alep e, a partir dessa descoberta, começou a investigar os detalhes de sua suposta contratação.

“O Autor desconhecia totalmente aqueles fatos, pois jamais manteve qualquer vínculo empregatício com a Assembleia Legislativa do Paraná”, foi a alegação da defesa.

Após visitar a Alep em busca de suas fichas funcionais, Dacome encontrou registros que mostravam uma remuneração irregular de R$ 550, um valor significativamente superior ao salário mínimo na época, de R$ 151. Em março de 2015, ele requisitou novos documentos, mas foi informado que o termo de posse não existia nos registros, embora os dados bancários associados ao seu nome apontassem que os pagamentos ocorriam em uma conta pertencente a Zanusso.

“Na resposta àquela solicitação, a instituição financeira apresentou extrato bancário, informando que os pagamentos foram efetivados em conta bancária pertencente ao Réu”, detalhou a defesa.

Diante da falta de resposta de Zanusso para uma resolução amigável, Dacome decidiu acionar o ex-deputado judicialmente, identificando um claro desvio de verba pública na situação. “É exagero afirmar que o Autor foi utilizado como ‘laranja’ ou ‘funcionário fantasma’? questionou.

O STJ, em uma decisão unânime, não apenas manteve a indenização, como também confirmou a gravidade das ações de Zanusso, que já enfrentou outras denúncias relacionadas ao que ficou conhecido como o “esquema gafanhoto”. Enquanto Dacome pleiteava um valor maior pela indenização devido aos danos, Zanusso tentava contestar a decisão, alegando não ter causado prejuízos e questionando a validade dos extratos bancários utilizados como evidência.

“O autor tenta relacionar maldosamente o nome do réu ao escândalo. A alegação está fadada ao insucesso, pois nada de irregular se constatou com relação ao réu”, argumentou a defesa de Zanusso.

O ex-deputado sustentava que Dacome tinha permissão para trabalhar no seu gabinete por amizade, mas a decisão em primeira instância já havia estabelecido uma indenização de R$ 20 mil, que foi dobrada em instância superior. O caso, que começou a tramitar em 2015, segue em discussão no STJ, onde ainda cabe recurso.

E você, o que pensa sobre essa situação? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Rodoviários convocam assembleia para decidir sobre possível greve em Salvador

O Sindicato dos Rodoviários de Salvador convocou uma assembleia permanente para a próxima quinta-feira (21), às 15h, na sede da entidade. O objetivo...

Mulher de 28 anos morre ao levar choque em evento de som automotivo

Durante uma festa de som automotivo em Cristalina, cidade no Entorno do Distrito Federal, Brenda Gonçalves de Lima, 28 anos, morreu após receber...

AGU envia ofício ao STF que defende suspensão da Lei da Dosimetria

Resumo: a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer defendendo a suspensão da Lei da Dosimetria, em resposta...