Da brincadeira a tradição: Festa dos Palhaços do Rio Vermelho pode se tornar Patrimônio Imaterial de Salvador

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“Tudo era apenas uma brincadeira, e foi crescendo, crescendo, me absorvendo, e de repente…” A Festa dos Palhaços do Rio Vermelho se consolidou como uma tradição no calendário de festas do verão em Salvador.

Diferente da história cantada por Peninha em ‘Sonhos’, a trajetória dos Palhaços do Rio Vermelho se mostra animada e cheia de vida. Tudo começou como uma simples diversão que acabou ganhando grandes proporções.

A Câmara Municipal de Salvador está mobilizada para proteger tradições populares, e agora busca conceder o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Município à festa Palhaços do Rio Vermelho, uma iniciativa totalmente soteropolitana.

Screenshot 2025 08 29 12.49.19Foto: Fernando Naiberg/ Divulgação

Em entrevista ao Bahia Notícias, Lúcia Menezes, presidente do Instituto Artístico e Sociocultural Palhaços do Rio Vermelho e uma das idealizadoras do movimento, que comemorou 15 anos em 2025, contou sobre a origem da festa, que começou antes da folia arrastar mais de 15 mil pessoas pelas ruas do bairro.

“Em 86, quando nos unimos ao Rui Santana, que é meu irmão e o criador da festa, éramos apenas 20 amigos se fantasiando de palhaços. Com o tempo, o grupo cresceu e me lembro de dizer: ‘Vamos parar por aqui, já está muito grande’.”

A festa surge em um contexto diferente do que o mercado exigia para o Carnaval. Enquanto os abadás ganhavam popularidade, as fantasias tradicionais começaram a ser deixadas de lado.

Screenshot 2025 08 29 12.49.01Foto: Fernando Naiberg/ Divulgação

“Naquele tempo, estávamos em desacordo com a tendência. Fantasias tradicionais estavam desaparecendo, mas em 2010, ao nos juntarmos aos Mascarados, percebemos que a festa podia ir além. Nunca esperávamos chegar a tal tamanho. Quando penso em 5, 8 ou 10 mil pessoas, isso me gera frio na barriga.”

Organizado pelo Instituto Artístico e Sociocultural Palhaços do Rio Vermelho, o desfile acontece sempre no penúltimo sábado antes do Carnaval. É um cortejo gratuito, cheio de cores, músicas e performances, atraindo milhares de participantes.

“No início, a festa atraía mais pessoas acima de 50 anos, mas hoje envolve todas as gerações. Crianças fantasiadas se divertem, e este ano até colocamos um pula-pula para elas. Foi um movimento espontâneo que as pessoas abraçaram, e isso é o que faz tudo acontecer.”

Screenshot 2025 08 29 14.02.02Foto: Ulisses Gama

De acordo com Lúcia, a festa cresceu tanto que começou a atrair visitantes do interior do estado. “Temos coletivos e manifestações de várias partes do estado participando. Mais de 500 pessoas trabalham para levar a festa às ruas, com ajuda de voluntários e profissionais remunerados.”

Ela ressalta a importância da festa para a cultura baiana e para o turismo na cidade. “Foi um grande avanço. Somos reconhecidos como um movimento que atende as necessidades da sociedade. A festa não é apenas uma brincadeira; movimentamos o comércio local, desde toalhas e adereços até os bares que ficam lotados.”

A inclusão da festa no calendário oficial da cidade, junto à criação do Dia Municipal do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho, deve fortalecer a organização do evento, tornando-o mais eficiente e divertido.

Screenshot 2025 08 29 12.50.14Foto: Fernando Naiberg/ Divulgação

“Depois de 15 anos de resistência e luta, conseguimos visibilidade. Como sempre digo, não cedo. É um desafio administrar os recursos, já usei meu dinheiro pessoal várias vezes para garantir a festa. Com o apoio oficial, teremos maior auxílio em infraestrutura e logística, o que é essencial.”

Transformar a festa em Patrimônio Imaterial de Salvador garantirá a proteção do patrimônio cultural e ajudará a promover a consciência sobre sua importância a níveis local, nacional e internacional.

Além da festa, Lúcia destaca que o objetivo do movimento é promover ações sociais nas áreas de educação e esporte. “Estamos planejando capacitar costureiras e realizar iniciativas que vão além do entretenimento, pois a necessidade social é grande. Precisamos agir.”

O que você acha dessa celebração? Já participou de alguma? Comente e compartilhe suas experiências!

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