Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido

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Na quinta-feira, 28 de agosto, ocorreu uma cerimônia emocionante na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Durante o evento, foram entregues atestados de óbito corrigidos a familiares de 63 vítimas do regime militar no Brasil, que perdurou de 1964 a 1985. Os novos documentos agora especificam a causa da morte como “Não natural, violenta, causada pelo *Estado brasileiro* no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política”.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou a importância simbólica do ato, ressaltando que, no passado, defender direitos fundamentais muitas vezes resultava na repressão. Ela lembrou que muitos brasileiros, incluindo trabalhadores e intelectuais, pagaram um preço alto por se oporem aos interesses do Estado. “O Brasil carrega profundas cicatrizes de períodos sombrios, e essas sequelas persistem em muitas regiões”, afirmou.

Eugênia Gonzaga, presidente da comissão de mortos e desaparecidos políticos, destacou que antes as certidões de óbito dessas pessoas apresentavam causas errôneas, como suicídio ou acidentes. Depois de anos, o Estado finalmente reconheceu as mortes, mas só após imensa pressão social. Em 2017, mudanças na legislação trouxeram esperanças, mas o progresso foi interrompido em 2019. Recentemente, em agosto do ano passado, a comissão foi reativada, trazendo um avanço significativo para as famílias.

Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, também esteve presente e compartilhou sua dor pessoal. Ela é cunhada de um desaparecido político e falou sobre “a agonia indescritível” de perder alguém sem saber seu paradeiro. Famílias presentes na cerimônia relataram que, embora os novos documentos não tragam seus entes queridos de volta, oferecem um reconhecimento importante da luta que enfrentaram.

Diva Santana, militante que perdeu sua irmã durante o regime, enfatizou que este momento deve impulsionar uma nova luta pela soberania e pelos direitos humanos no Brasil. “A nova geração precisa continuar essa luta”, disse ela, lembrando que os esforços de seus parentes não podem ser esquecidos.

Esse evento não apenas marcou uma importante reestruturação da memória histórica, mas também reforçou a necessidade de continuar a discutir e divulgar as violações ocorridas durante a ditadura, especialmente entre os jovens nas redes sociais. O que você acha sobre esses avanços? Compartilhe sua opinião nos comentários!

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