Caminhos de um juiz

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Daniel Serpa de Carvalho, juiz de Direito

Daniel Serpa de Carvalho, juiz de Direito

Em uma tarde que misturava processos e audiências, a minha mente estava inquieta. Estava na expectativa do lançamento dos editais de promoção. Depois de mais de uma década de trabalho, minha experiência nas várias cidades me deixava ansioso. A cada lugar que passava, conhecia novas culturas e desafios. Era como um caixeiro-viajante, sempre em busca de um lugar especial para chamar de lar.

A dúvida pesava: deveria escolher um grande centro, uma cidade no interior sertanejo ou as belas praias do extremo sul da Bahia? Assim como muitos outros juízes, eu me perguntava onde encontraria a verdadeira felicidade.

Essa angústia trouxe à tona uma série de recordações. Pensei nos casos que julguei, nas vidas que impactei e nas muitas noites em claro. Revivi a conexão com os cidadãos, desde os mais humildes aos mais instruídos, que se revelavam em cada processo judicial. Encontrei pessoas de todos os tipos – heróis e vilões, todos humanos.

E entre as memórias, surgiram os ‘causos’ que não aparecem nas manchetes, mas que marcaram minha vida. Lembrei do carinho de uma mãe que acolhia crianças sem família e de uma colega que me ajudou a resgatar famílias de problemas graves. Também não podia esquecer do Gelson, que superou seus desafios e se tornou um cidadão do bem.

Nesse mar de lembranças, percebi o quão humano eu era. Onde acertei e onde errei? Essas reflexões foram interrompidas por um telefonema que não reconheci. A voz do outro lado trouxe surpresas: uma conexão do passado que despertou lágrimas de gratidão.

Mais de vinte anos atrás, eu era apenas um estagiário. O escrivão, que era amigo de um juiz, mencionou meu nome em uma conversa. Assim, ali estávamos, relembrando bons momentos de um tempo distante. A ligação não foi apenas uma conversa, mas um filme da minha trajetória profissional que me fez sentir agradecido por tudo que conquistei.

Após a conversa, a ansiedade foi embora. Guardei os editais e percebi que poderia encontrar felicidade em qualquer lugar onde eu exercesse minha função. O juiz é aquele que, de maneira quase divina, busca melhorar a vida da sua cidade, ouvindo e julgando com empatia.

E você, já parou para pensar nos caminhos que tomou para chegar onde está? Comente aqui suas reflexões sobre o seu próprio percurso e como encontrou seu lugar na vida.

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