Líderes cristãos assinam declaração alegando que o “sionismo cristão” está sendo usado para justificar a opressão aos palestinos

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Mais de 70 líderes cristãos americanos e organizações religiosas divulgaram uma declaração criticando a guerra em Gaza. Eles acusam alguns cristãos ocidentais, que apoiam Israel, de usarem o sionismo para justificar a opressão dos palestinos.

Essa coalizão, formada por pastores, teólogos, acadêmicos e ativistas, apresentou a carta durante a conferência “Church at the Crossroads”, realizada em Glen Ellyn, Illinois. Segundo os signatários, os cristãos palestinos expressam profunda tristeza pelo apoio ocidental a Israel, destacando que as raízes do conflito estão na ocupação militar e limpeza étnica que começou em 1948.

A carta pede um cessar-fogo imediato, o retorno de reféns israelenses e palestinos, além de um acesso sem restrições a ajuda humanitária para Gaza. Os signatários reconhecem que sua resposta à guerra compromete o testemunho do Evangelho e a unidade da comunidade cristã.

Um porta-voz da Igreja na Encruzilhada afirmou que a declaração é uma resposta a cartas abertas de líderes religiosos palestinos e do Oriente Médio, emitidas em outubro de 2023 e agosto de 2024. O porta-voz reiterou a importância de aprender com as experiências dos cristãos palestinos e de lamentar pelos danos causados.

Entre os apoiadores da declaração estão ativistas e pensadores cristãos conhecidos, como Shane Claiborne e Adam Taylor. Juntamente com eles, também assinaram a carta figuras como Phil Vischer e Peter Beinart, um crítico proeminente de Israel.

A declaração surge após a eclosão de violência em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas, que controla Gaza, atacou Israel, resultando na morte de mais de 1.200 pessoas e no sequestro de mais de 240, incluindo cidadãos americanos. A resposta de Israel foi uma ofensiva militar em Gaza, com autoridades de saúde na região afirmando que mais de 64.000 pessoas já morreram no conflito.

A carta destaca a devastação sofrida pelos palestinos, citando o impacto da ofensiva israelense em crianças, cidades, escolas e locais de culto. Os signatários expressam preocupação com o uso da Bíblia para justificar a opressão e prometem desafiar a teologia do sionismo cristão, que acreditam contribuir para a injustiça contra os palestinos.

A organização Projeto Philos, que defende Israel, contesta as críticas e afirma que os cristãos vivem com liberdade em Israel, ao contrário de outros lugares do Oriente Médio, onde enfrentam desafios mais severos. O grupo ressalta a dificuldade de se levantar a voz em defesa dos cristãos que vivem sob regimes muçulmanos.

Jonathan Kuttab, um cristão palestino, destaca que o amor ensinado por Cristo deve se estender a todos, e critica a forma como o sionismo cristão distorce ideologias políticas. Kuttab e outros teólogos palestinos acreditam que a narrativa do sionismo se opõe aos ensinamentos básicos da Bíblia e promove o deslocamento forçado de pessoas.

A carta e as declarações provocaram uma discussão intensa. As vozes a favor e contra o sionismo cristão revelam uma divisão significativa entre os cristãos sobre este tema delicado. O que você pensa sobre a declaração? Sua opinião pode enriquecer este debate complexo e necessário.

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