Tombamento do Brasília Palace Hotel é engavetado e projeto para construção de novo prédio avança

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O projeto de ampliação do Brasília Palace Hotel, do empresário Paulo Octávio, avança após o processo de tombamento do local ter sido engavetado. A proposta inclui a construção de um prédio idêntico ao existente, localizado à margem do Lago Paranoá, próximo ao Palácio da Alvorada.

A ideia já recebeu aprovação inicial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF (Seduh). Agora, o projeto será analisado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (Condepac-DF).

Brasília é Patrimônio Mundial por seu conjunto arquitetônico e urbanístico moderno, e o Brasília Palace Hotel faz parte dessa paisagem histórica, essencial para a preservação desse título.

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O processo de tombamento individual do hotel começou em 2021, logo após a apresentação do primeiro projeto de ampliação por parte das empresas de Paulo Octávio, que foi rejeitado pelas autoridades competentes. O Grupo Técnico Executivo (GTE) sugeriu a proteção urgente do hotel, destacando que novos edifícios comprometeriam sua relação paisagística.

Em 2021, a Comissão Permanente de Análise e Avaliação de Registro e Tombamento Cultural (CPAARTC) também recomendou o tombamento do Brasília Palace Hotel, evidenciando a necessidade de sua preservação para evitar a perda irreparável de suas características arquitetônicas e urbanísticas.

Apesar das recomendações, o processo de tombamento não seguiu adiante, e o projeto atual é resultado de uma nova proposta, que visa construir um prédio com 14.400 m², com 123 novos apartamentos e 80 vagas de estacionamento ao lado da residência oficial da Presidência da República.

Recentemente, em julho, o Iphan aprovou a ampliação, que agora será submetida à análise do Condepac.

Risco para o Patrimônio

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) menciona o Brasília Palace Hotel como exemplo de riscos associados à falta de integração na preservação do patrimônio. A possibilidade de descaracterização do Conjunto Urbanístico de Brasília (CUB) também foi levantada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que aprovou uma indicação contrária ao projeto de ampliação em 27 de agosto.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico e Sustentável da CLDF enfatizou que qualquer intervenção deve ser precedida por estudos detalhados, preservação e análise em conformidade com o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub).

“Apesar das garantias conferidas ao bem pelo PPCub, há um processo em trâmite no Condepac visando a autorizar intervenções sem a realização das análises necessárias, o que coloca o bem em risco”, destaca o documento da CLDF.

O que dizem as autoridades

A Seduh afirmou que o projeto de ampliação foi aprovado antes da indicação da CLDF, ressaltando que as definições do PPCub são tratadas como se fossem tombadas. O órgão também destacou que o projeto já está em análise pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e aguardando avaliação final do Condepac.

A empresa de Paulo Octávio, por meio do arquiteto Alberto Dávila, comentou que o novo projeto busca respeitar a iconicidade da edificação existente, mantendo a relação com a paisagem e as vistas do Lago Paranoá.

O Iphan, por sua vez, reafirmou seu compromisso com a preservação do patrimônio cultural, destacando que ações são tomadas mesmo para bens não tombados, desde que façam parte de uma área mais ampla protegida.

Qual é a sua opinião sobre a ampliação do Brasília Palace Hotel? Deixe seu comentário e nos diga o que você pensa sobre a preservação do patrimônio em Brasília.

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