Opinião: Esperar que o Judiciário e seus membros não sejam políticos é um misto de hipocrisia e utopia

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A cada vez que uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) se abre, surge a hipocrisia de que o Judiciário não é um poder político. Enquanto muitos cidadãos ignoram quem Lula indicará, outros se preocupam em reclamar da politização da Corte, como se vivêssemos em um mundo ideal. Essa expectativa de imparcialidade, que até o jornalismo reconhece ser ilusória, prevalece na nossa sociedade.

Desde o julgamento do mensalão, o STF ganhou visibilidade. Antes, a maioria das pessoas mal sabia quem eram os ministros. Hoje, muitos conhecem mais os membros da Corte do que jogadores da Seleção Brasileira, o que é surpreendente para um país tão focado em futebol. Apesar dessa mudança, a ideia de que o Judiciário opera de forma apolítica permanece distante da realidade percebida pelos cidadãos.

Acreditar que juízes não são políticos é um grande equívoco. Sempre foram e sempre serão. Os magistrados que melhor compreendem a sociedade tendem a tomar decisões mais acertadas. Isso não significa que eles não devam seguir a lei, mas a interpretação jurídica pode variar dependendo de fatores políticos, econômicos e sociais. Enquanto discutimos a inclinação política de um ministro, esquecemos que as interferências políticas já começam nas decisões de primeira instância.

Por exemplo, em breve, o Tribunal de Justiça da Bahia viverá um momento político com a eleição da Mesa Diretora. A disputa entre desembargadores será acirrada, mesmo sem filiação a partidos. Todos estarão motivados a convencer seus colegas sobre quem será o melhor gestor. Essa não é apenas uma questão de “democracia interna”, mas, sim, uma disputa política. Reconhecer isso é fundamental para entender o cenário atual.

Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, Lula terá o maior número de indicações ao STF. Independentemente de quem for escolhido, a indicação será contestada. E não se pode assumir que o novo ministro estará alinhado politicamente ao presidente. O exemplo de Dias Toffoli refuta essa ideia, pois ele já foi tratado como “traidor” pelas suas decisões. Para avançarmos como sociedade, é essencial deixarmos de lado a hipocrisia sobre um Judiciário sem política. Porém, esse é um desafio que parece distante de ser superado.

O que você pensa sobre a politização do Judiciário? Deixe sua opinião nos comentários. Sua voz é importante para entender essa questão complexa.

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