Opinião: “Ou soma ou suma”: Rio de Janeiro exporta necropolítica no enfrentamento ao narcoestado

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Quando a última grande operação buscou retomar áreas do Rio de Janeiro dominadas pelo narcotráfico, o efeito foi sentido em todo o Brasil. O Comando Vermelho se espalhou, influenciando localidades como Salvador, onde facções menores passaram a se articular com foragidos da violência que assola a cidade. Após 15 anos, a sensação de insegurança se tornou parte da rotina dos moradores, que convivem com a violência de forma alarmante.

O tema da segurança pública no Brasil é complexo e não pode ser simplificado. As imagens do Rio de Janeiro são um reflexo de uma batalha perdida em uma guerra que parece distante de ser vencida. As autoridades se responsabilizam mutuamente em um cenário onde milícias e facções criminosas operam como um Estado paralelo, financiados pelo narcotráfico.

Neste contexto, o conceito de ‘necroestado’ ressoa fortemente na opinião pública. A ideia de que “bandido bom é bandido morto” se solidifica, especialmente quando se trata de pessoas negras e residentes da periferia, que formam a maior parte das vítimas. Essa realidade é evidente não apenas no Rio de Janeiro, mas reflete um panorama de guerra civil não declarada no Brasil.

Na Bahia e em outras partes do país, a morte se tornou uma constante na vida cotidiana. Quando tais fatalidades atravessam os limites da pobreza, são camufladas pelas declarações oficiais e pela abordagem da imprensa, que aparenta distanciar esses eventos da realidade vivida por muitos. Enquanto isso, a sociedade parece indiferente ao que acontece a poucos metros dos bairros de classe média e alta.

O que deveria ser um marco de enfrentamento ao narcoestado, em 2011, resultou na disseminação das táticas do Comando Vermelho por todo o país. Em resposta, o Brasil adotou uma estratégia de necropolítica que não apresentou resultados satisfatórios. Ignorar os dados recentes ou fingir que há boas perspectivas é simplesmente ilusório. A declaração do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ao afirmar “ou soma ou suma”, ilustra bem essa realidade: a vida de pessoas negras continua sendo desvalorizada.

Esse tema é urgente e merece debate. O que você pensa sobre a situação da segurança pública no Brasil? Compartilhe suas opiniões nos comentários.

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