A cada 6 minutos 1 pessoa morre de AVC no Brasil, reconheça os sinais

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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte no Brasil. De acordo com dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil, entre janeiro e outubro deste ano, 64.471 pessoas perderam a vida por causa dessa condição, o que resulta em uma morte a cada seis minutos.

Diante dessa realidade, a Boehringer Ingelheim realizou um evento em Brasília, em outubro, intitulado “Pautadas por Elas”. O encontro trouxe especialistas, gestores da saúde e associações de pacientes para discutir estratégias que garantam acesso a diagnóstico, tratamento e reabilitação do AVC.

Cuidado no tempo certo salva vidas

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, menciona que existem dois tipos principais de AVC: o isquêmico, que resulta do entupimento de uma artéria, e o hemorrágico, causado pela ruptura de um vaso sanguíneo. O AVC acontece quando o fluxo sanguíneo ao cérebro é interrompido, levando à morte de células cerebrais e sequelas que podem incluir limitações motoras e perda da fala.

Identificar rapidamente os sintomas e buscar atendimento são essenciais para evitar complicações graves. Sinais como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alterações visuais súbitas, dor de cabeça intensa e perda de equilíbrio devem ser levados a sério.

“Qualquer sinal neurológico súbito deve ser considerado AVC até que se prove o contrário. É fundamental acionar o SAMU (192) imediatamente. Cada minuto sem tratamento significa a perda de 2 milhões de neurônios.”

Sheila Martins, neurologista e presidente da Rede Brasil AVC

A experiência de Sandra Issida Gonçalves, presidente da Associação Mineira do AVC, exemplifica a importância de reconhecer os sinais e agir rapidamente. Em 2011, seu marido, Renato, sofreu um AVC aos 44 anos. O diagnóstico demorou, e ele enfrentou sequências graves devido ao atendimento tardio.

“Quando ele perdeu força na perna e a fala, foi um verdadeiro filme de terror. Cada progresso, mesmo que pequeno, era uma vitória”, contou Sandra. Essa experiência a motivou a fundar a associação que auxilia pacientes e familiares com informações e suporte.

Tratamento

Nos hospitais, a tomografia de crânio é essencial para diagnosticar o tipo de AVC. Identificando um AVC isquêmico, é possível usar um medicamento que dissolve o coágulo, reduzindo sequelas se o tratamento ocorrer até 4 horas e meia após o início dos sintomas.

“Com o uso do trombolítico, 30% a mais de pacientes ficam sem sequelas do que aqueles que não recebem o tratamento. O Brasil tem mais de 300 hospitais capacitados para isso, sendo 126 financiados pelo Ministério da Saúde”, ressalta Sheila Martins.

Em casos mais graves, há a trombectomia mecânica, que remove o trombo por cateterismo cerebral, mas apenas 18 hospitais do SUS podem realizar essa intervenção.

Prevenção e reabilitação

O evento “Pautadas por Elas” destacou a importância de fortalecer a linha de cuidado do AVC, da prevenção à reabilitação. A neurologista Sheila Martins afirma que é fundamental integrar o atendimento primário com serviços de urgência e o acompanhamento após a alta hospitalar.

“O paciente não pode sair do hospital sem saber onde fará fisioterapia e fonoaudiologia. O tempo é crucial na reabilitação e precisamos abordar tanto os fatores de risco quanto o suporte social e emocional.”

Segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), cerca de 70% dos pacientes que sofrem um derrame não conseguem retornar ao trabalho por causa das sequelas, e 50% tornam-se dependentes de outras pessoas para realizar atividades diárias.

Educação e conscientização

Para melhorar o acesso ao tratamento, a Boehringer Ingelheim está promovendo ações educativas em várias regiões do Brasil. A gerente sênior de assuntos médicos, Renata Miranda, mencionou duas iniciativas importantes.

A primeira é o programa Angels, que tem como objetivo qualificar hospitais para um atendimento eficiente e rápido do AVC. Desde 2017, cerca de 624 centros participam da iniciativa, impactando 750 mil pacientes.

A segunda, Fast Heroes, destina-se a crianças de 5 a 10 anos e ensina de maneira lúdica a como identificar sinais de AVC e como acionar o SAMU. Já envolveu mais de 980 escolas e 90 mil crianças.

Estas iniciativas buscam aumentar o conhecimento sobre os sinais do AVC e como agir, para que crianças possam transmitir essas informações às suas famílias.

Prevenir é tratar antes de precisar

De acordo com a OMS, até 90% dos AVCs podem ser prevenidos com o controle da pressão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo e obesidade. O evento ressaltou que investir em prevenção e integração dos cuidados é tão importante quanto aumentar o número de centros de tratamento.

No mesmo dia, no Salão Nobre do Congresso Nacional, foi realizada uma cerimônia destacando a urgência de abordar a questão do AVC. Membros do Ministério da Saúde e associações médicas discutiram o lançamento da Política Nacional de AVC, representando um passo importante para um modelo de cuidado eficaz e humano.

Esse tipo de política pode ser um divisor de águas na forma como o Brasil enfrenta o AVC. E você, que histórias ou opiniões sobre o tema gostaria de compartilhar? Comente e participe da conversa.

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