MPF aciona Justiça para exigir criação imediata de Comitê de Prevenção à Tortura na Bahia

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para obrigar a União e o estado da Bahia a criarem, de forma articulada, o Comitê e o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (MEPCT). A ideia é estabelecer instrumentos eficazes para prevenir violações de direitos humanos no sistema prisional baiano.

A ação, apresentada na última quinta-feira (4), busca dar efetividade à Lei Federal n.º 12.847/2013, que instituiu o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (SNPCT). Também cumpre o compromisso internacional firmado pelo Brasil ao ratificar o Protocolo Facultativo da Convenção da ONU contra a Tortura, previsto pelo Decreto n.º 6.085/2007. Esse protocolo exige a criação de mecanismos independentes, em nível nacional e estadual, para visitas preventivas a locais de privação de liberdade.

Enquanto o âmbito federal já conta com o Mecanismo Nacional (MNPCT), a Bahia ainda não possui um sistema estadual equivalente. Segundo o MPF, a ausência dificulta a fiscalização contínua e a prevenção de violações em unidades prisionais e socioeducativas.

A urgência da ação se baseia em relatos do MNPCT encaminhados ao MPF em 18 de novembro de 2025, resultantes de inspeções realizadas em 2024 no Conjunto Penal de Serrinha e na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador. Os documentos apontam graves violações de direitos e indicam índices de letalidade policial preocupantes no estado, com o MNPCT registrando que a Polícia Militar da Bahia foi a mais letal do Brasil em 2023 e 2024.

O mecanismo federal aponta ainda uma dupla inércia dos poderes estaduais: a omissão do governo em enviar um projeto de lei que crie o MEPCT com independência formal, conforme exige a ONU, e a lentidão da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em tramitar e aprovar o Projeto de Lei 25.660/2024, que visa instituir o sistema estadual.

O procurador da República Ramiro Rockenbach, autor da ação, afirmou que a inércia impacta diretamente a defesa dos direitos humanos. “A criação do Comitê e do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura permite acompanhar as condições dos estabelecimentos prisionais por visitas periódicas”, aponta a peça inicial.

Como justificativa, o MPF anexou à inicial documentação extensa, incluindo relatórios que revelam superlotação, falta de assistência à saúde, alimentação inadequada, infraestrutura precária e relatos de violência e maus-tratos.

PEDIDOS DO MPF O MPF requer, em caráter liminar, que a União e o estado da Bahia apresentem, em até 90 dias, um plano concreto para a criação do Comitê e do MEPCT, e que façam a implementação efetiva em até seis meses. O órgão também pede a condenação definitiva dos entes, com a fixação de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, até que a estrutura esteja plenamente instalada e operante, com recursos para visitas regulares e independentes a todos os locais de privação de liberdade no estado.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Saiba quanto ganhou grupo que fez bolão de R$ 13 milhões na Mega

Mega da Virada: grupo de Cachoeira Dourada investiu alto Um grupo de apostadores de Cachoeira Dourada, no sul de Goiás, ganhou destaque ao...

Noite de violência no Bairro Cajueiro deixa um morto e um ferido em Nova Viçosa

Nova Viçosa foi abalada por um tiroteio na noite de 31 de dezembro, no Bairro Cajueiro. Por volta das 22h, duas pessoas em...

Justiça do Ceará absolve Ciro Gomes em ação movida por Damares Alves

A Justiça do Ceará absolveu o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes em ação movida pela ex-ministra Damares Alves, que o acusava de calúnia,...