Gilmar Mendes determina trancamento de ação penal contra ex-diretor do COB na Operação Unfair Play 2

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O STF concedeu habeas corpus para encerrar a ação penal contra Leonardo Gryner, ex-diretor de operações e marketing do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), ligada à Operação Unfair Play 2, que apura irregularidades na escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O relator entendeu que não houve justa causa para o prosseguimento da ação, e que a equiparação de dirigentes do COB a funcionários públicos não tem amparo legal, inviabilizando a aplicação de crimes funcionais, como corrupção passiva, com base no princípio da legalidade penal.

A decisão reforça que o COB é uma entidade de direito privado, integrante do sistema esportivo privado, conforme a Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023). Apesar de representar o país em competições internacionais e manter diálogo com o poder público, isso não o transforma em órgão da Administração Pública nem autoriza, por si só, a equiparação penal de seus dirigentes.

A Operação Unfair Play 2 investiga supostos pagamentos para influenciar votos na escolha da sede dos Jogos de 2016, envolvendo Sérgio Cabral, Arthur Soares e Carlos Nuzman. Segundo a denúncia, US$ 2 milhões teriam sido destinados a dirigentes esportivos internacionais, com Gryner e Nuzman atuando como intermediários.

A defesa de Gryner argumentou que as condutas seriam atípicas, pois ele atuava em uma entidade privada e não possuía vínculo com a Administração Pública. Também sustentou que não há crime de corrupção no âmbito privado, o que impediria ampliar o tipo penal por analogia. As instâncias inferiores haviam rejeitado essas teses; o STF foi acionado após decisões desfavoráveis no TRF da 2ª Região e no Superior Tribunal de Justiça.

Ao conceder o habeas corpus, o STF trancou a ação penal exclusivamente em relação a Leonardo Gryner, mantendo o processo para os demais investigados. O caso segue para avaliação dos demais envolvidos.

E você, qual sua leitura sobre esse entendimento de que o COB não atua como órgão público? Deixe sua opinião nos comentários.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Líder nas pesquisas, Cleitinho mantém suspense em MG e deixa Flávio na incerteza

Minas Gerais vive um momento decisivo na corrida eleitoral, com Cleitinho Azevedo despontando como favorito para o governo, enquanto o grupo bolsonarista avalia...

Brasil é eleito para o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas

Brasil foi eleito para o Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) para o mandato de 2027 a 2029, recebendo 181 votos. O...

Feriados esvaziados viram oportunidade para Câmara aprovar pautas simbólicas e comemorativas

Resumo da semana Durante Corpus Christi, a Câmara dos Deputados operou em ritmo mais lento, com muitos parlamentares fora de Brasília. Mesmo com...