Universidade do RS faz tributo a ditador e MPF aciona a Justiça

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


A Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul, gerou polêmica ao inaugurar um memorial dedicado ao ex-presidente Ernesto Geisel na biblioteca da instituição, em 19 de novembro. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a remoção do espaço e, após a universidade recusar a solicitação, a Procuradoria moveu uma ação na Justiça em busca da desativação imediata do memorial.

Universidade do RS faz tributo a ditador e MPF aciona a Justiça - destaque galeria

“A manutenção de tal tributo é incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro, especialmente porque Geisel é nominalmente identificado no relatório final da CNV como um dos responsáveis por graves violações de direitos humanos. Durante seu governo, a política de desaparecimentos forçados foi sistemática, resultando em condenações do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos,”

Segundo a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul (PRDC/RS), o memorial representa uma violação direta aos direitos à memória e à verdade, além de afrontar a dignidade das vítimas do regime militar e os princípios democráticos que regem o país.

Natural de Bento Gonçalves, local da sede da UCS, Ernesto Geisel foi o quarto presidente da ditadura militar no Brasil, no poder entre 15 de março de 1974 e 15 de março de 1979. Filho de imigrantes luteranos alemães, morreu em 1996, aos 89 anos, de câncer.

“A exaltação institucional a agentes vinculados a crimes de lesa-humanidade é manifestamente inconstitucional e agrava o sofrimento de vítimas e familiares. […] O uso de espaços educativos para enaltecer figuras ligadas à repressão fere o patrimônio imaterial da União e a ordem democrática,” reforça o MPF.

Leia também

O MPF pede ainda que a universidade desative o memorial em 48 horas, assim que a decisão judicial seja tomada, sob pena de multa diária de R$10 mil. Como danos morais coletivos, foi requisitada a indenização de R$1 milhão, que, em caso de decisão favorável, seria revertida a projetos educativos e de direitos humanos. Além disso, até 180 dias, o espaço atual dedicado ao memorial poderia ser convertido em um tributo dedicado às vítimas da ditadura e à promoção da verdade histórica.

A reportagem entrou em contato com a UFC e aguarda retorno.

A discussão coloca em evidencia o debate sobre como instituições de ensino devem tratar episódios de repressão e violações de direitos humanos, e qual o peso da memória histórica na formação de uma sociedade democrática.

O caso segue nos autos, e a comunidade acadêmica, bem como a sociedade gaúcha, acompanha os desdobramentos para entender quais caminhos a escola pública de ensino superior deve trilhar para conciliar memória, educação e responsabilidade histórica.

E você, o que pensa sobre a presença de símbolos ligados a regimes autoritários em espaços educativos? Deixe sua opinião nos comentários.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Na casa! Xanddy Harmonia chega ao trio elétrico para ‘Melhor Segunda-Feira”

A Harmonia já está na área para a "Melhor Segunda-feira" de 2026. O cantor Xanddy Harmonia chegou na noite desta segunda-feira (9) ao...

Jovem Pan estreia no Carnaval de São Paulo com Naming Rights do bloco Borbulhas de Amor

Jovem Pan fecha Naming Rights do bloco Borbulhas de Amor no Carnaval de Rua de São Paulo, que passa a se chamar Bloco...

Jornal inglês se derrete por João Pedro após triunfo sobre o Wolves

Chelsea vence Wolverhampton por 3-1 na Premier League; Joao Pedro é destaque segundo The Sun ...