Von der Leyen projeta acordo UE-Mercosul para janeiro após adiamento por pressão de França e Itália

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A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi adiada após protestos de agricultores em Bruxelas, com a pressão de França e Itália influenciando a decisão. O presidente Lula abriu caminho para o atraso após conversar com a italiana Giorgia Meloni, que pediu paciência e assegurou o apoio da Itália ao tratado.

O acordo, negociado por 25 anos, criaria a maior zona de livre comércio do mundo. Ele permitiria que a UE exportasse veículos e maquinário para o Mercosul, enquanto facilitaria a entrada de carnes, arroz, mel e soja sul-americanos no bloco, gerando temores entre agricultores europeus sobre a competição e padrões de produção.

França e Itália resistiram, o que atrasou a assinatura e levou o Executivo europeu a adiar o texto. Macron sugeriu mudanças para oferecer mais garantias aos produtores, embora não descarte o acordo para janeiro, mantendo a dúvida sobre a viabilidade política.

A assinatura que se esperava ocorreria durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, no entanto, depende da aprovação de uma maioria qualificada entre os Estados-membros, algo que não foi alcançado na reunião.

Do lado agrícola, protestos em Bruxelas chamaram a atenção. Cerca de 7.300 manifestantes, com cerca de 50 tratores, participaram, e outros 950 tratores chegaram às vias próximas às instituições da UE. Houve incidentes, com pneus incendiados, objetos arremessados e janelas atingidas, reforçando o clima de tensão no entorno.

Os produtores europeus contestam a concorrência de bens importados com normas ambientais e sociais mais brandas, além de receios sobre a reforma da PAC, que a UE pretende adaptar. Agricultores franceses destacaram a percepção de competição desleal, enquanto outros reforçaram que o Mercosul não pode ficar acima de padrões europeus.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reuniu-se com a Copa-Cogeca e afirmou, em rede social, que a Europa estará ao lado dos agricultores. A Copa-Cogeca pediu até 10.000 manifestantes e reiterou a exigência de garantias para o setor.

Analistas afirmam que o adiamento não resolve tudo e que a assinatura provavelmente dependerá de mudanças políticas e de garantias para agricultores. Ainda há expectativa de que, se houver acordo, a assinatura ocorra em meados de janeiro, sujeito a cenários internos na UE.

E você, como vê a assinatura desse acordo entre UE e Mercosul? O que poderia fazer a diferença para agricultores e produtores locais? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre o futuro do comércio internacional.

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