Sucessão no Irã pode fortalecer ainda mais ala radical e anti-Ocidente

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A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ocorreu após ataques de EUA e de Israel no fim de semana, abrindo dúvidas sobre a sucessão do regime teocrático que governa o país desde 1989. O aiatolá Alireza Arafi foi nomeado para conduzir o país de forma interina, enquanto o processo de escolha do novo líder não se encerra. O comando provisório inclui ainda o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei.

Constituição define que a escolha do novo líder depende da Assembleia de Peritos, formada por 88 aiatolás xiitas. Para vencer, é necessária a maioria simples, isto é, 45 votos. Os membros são eleitos por voto popular, mas a eleição depende da aprovação do Conselho de Guardiões, um órgão de 12 membros dividido igualmente entre indicados pelo líder supremo e pelo chefe do Judiciário, este último também indicado pelo líder.

O provável sucessor será um defensor firme do islamismo xiita, mantendo a influência do regime. O historiador Rodrigo Medina, da Unifesp, avalia que a chance de surgir uma ala mais progressista é pequena, dadas as regras que mantêm o poder com o eixo aiatolá.

No início da semana, Israel atacou o local onde se reúne a Assembleia de Peritos, em Qom. A imprensa israelense afirmou que todos os 88 aiatolás estavam presentes; a imprensa iraniana disse que o prédio foi evacuado e não houve confirmação de mortos ou feridos.

A Guarda Revolucionária do Irã, força paramilitar leal ao regime, é peça central para moldar o futuro do país. Medina aponta que a Guarda tende a permanecer fiel aos aiatolás, associada a uma leitura radical do islamismo xiita. Segundo ele, apenas uma oposição interna muito improvável poderia alterar o curso da sucessão.

“Depende de uma variável pouquíssima plausível, que seria a oposição interna ao regime dos aiatolás e de Ali Khamenei, simpatizante a algumas pautas dos movimentos insurgentes que tomaram as ruas do Irã no fim do ano passado e início deste.”

Desde a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda faz a defesa dos pilares religiosos do islamismo, adepta, principalmente, à expressão radical do islamismo xiita.

Em resumo, o Irã tende a manter o curso conservador, com as instituições de poder — Assembleia de Peritos, Conselho de Guardiões e Guarda Revolucionária — influentes na escolha do líder. O desfecho da sucessão pode ter impactos relevantes para a política regional.

E você, o que pensa sobre o processo de substituição de Ali Khamenei e as perspectivas para o regime iraniano? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe seus pontos de vista sobre o tema.

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