Aos 77 anos, aposentada defende TCC feito em parceria com a mãe, de 98

Resumo: Marivan Ferraro, aos 77 anos, tornou-se recém-formada em Design pela Unifor ao defender seu TCC em parceria com a mãe, Maria Augusta, de 98, que participou ativamente do projeto. A dupla criou um livro infantil bordado inspirado na Arca de Noé, conquistando nota máxima e celebrando uma reinvenção acadêmica conjunta.

A obra nasceu de uma colaboração entre gerações. O TCC, livro infantil confeccionado em tecido bordado, inspirado na história bíblica da Arca de Noé, surgiu da ideia familiar e ganhou vida com desenhos feitos com caneta apagável, lápis e transferidor de carbono branco. “Minha mãe foi a primeira a pensar na obra”, relembra Marivan, destacando o papel decisivo da mãe.

Divulgação/Ares Soares/Unifor
Foto colorida de Marivan Ferraro

A trajetória de Ferraro já trouxe uma vida dedicada à educação. Formada em Letras, atuou como professora na rede pública e se aposentou em 2009. Anos depois, com os filhos já criados, resolveu retornar aos estudos ao se deparar com o curso de Design na Unifor em 2022. A aprovação a levou a conviver diariamente com colegas de várias idades e a redescobrir novos interesses.

O projeto do livro infantil nasceu justamente dessa fase de reinvenção. Segundo Ferraro, o material foi pensado para crianças pequenas, que ainda não dominam a leitura tradicional.

“A criança lê com as mãos. A teoria explica e justifica que os pequenos começam lendo assim. O público para esse livro, então, são crianças de 2 a 4 anos, ou seja, crianças não leitoras. Um livro-brinquedo, para os pais lerem quando o filho for dormir, e que serve até de travesseiro, se a criança quiser dormir com ele”

Agora, a aposentada pretende revisar a obra e ampliar o projeto com novos títulos voltados ao público infantil. A iniciativa também funciona como uma forma de valorizar o legado de Maria Augusta, que, aos 98, segue ativa, escrevendo livros, ministrando aulas de Hermenêutica Bíblica e mantendo uma rotina independente. Hoje ela resume a vida com a frase herdada de uma tia: “A gente tem que viver morrendo, e não morrer vivendo.” Além disso, a ideia é que a arte seja um lembrete de que a idade não é barreira para sonhar: “A vida não acabou porque você tem uma idade avançada. Cada dia eu vivo o dia. Não sonho muito longe, não. Não tenho sonhos muito impossíveis. Sonho e vou realizando.”

Agora, conte pra gente: histórias que cruzam gerações, valorizando saberes de quem já viveu muito, também inspiram você? Compartilhe nos comentários suas experiências ou opiniões sobre reinvenção na idade adulta e o poder de manter o legado vivo.

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