Elefante na sala, Maduro atrapalha ‘química’ entre Trump e Lula

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A possível química entre Lula e Donald Trump encontra um obstáculo direto na crise venezuelana. O alcance do ataque norte-americano à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, coloca à prova a relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, em um momento em que o Brasil tenta manter sua autonomia em meio a pressões externas.

Logo após a aproximação entre Lula, do PT, e Trump, ocorrida em uma reunião de alto nível na ONU, surgiram sinais de cooperação que incluíram a queda de tarifas para itens estratégicos e mudanças em questões de política externa. Entre os resultados apresentados, destacam-se a redução de tarifas sobre carne bovina, café, frutas e madeira, além da revogação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Mesmo com avanços, algumas linhas de defesa da economia brasileira permanecem sob revisão, como a cobrança de tarifas em pescados.

Historicamente, PT e chavismo mantiveram uma aliança. O alinhamento enfraquecido pela realidade venezuelana desde o último ciclo eleitoral de Maduro, quando o Brasil não reconheceu a vitória do presidente venezuelano, ficou evidente. O Brasil também vetou a entrada da Venezuela no Brics e, na prática, contraiu a relação com Caracas, especialmente após episódios envolvendo invasões na Guiana. O afastamento de Maduro tornou-se um empecilho para a consolidação de qualquer “amizade” entre Lula e Trump.

Diante do ataque, Lula adotou uma posição crítica à medida, destacando que os bombardeios violam a soberania venezuelana e criam um precedente perigoso para a região. Embora não tenha citado explicitamente Trump, muitos próximos ao PT reagiram de forma diferente, com alguns defendendo o chavismo de forma mais aberta. A sinalização de Lula foi de reserva estratégica, mantendo a defesa da soberania nacional sem condenar publicamente Maduro.

Na visão de Trump, o momento também serve para justificar a ascensão da direita na região. Ele enfatizou vitórias de candidatos de direita na América Latina e afirmou planos de manter o controle do governo venezuelano até uma transição estável, prometendo apoio econômico para reconstruir a infraestrutura do país, com participação de grandes empresas dos EUA no setor de petróleo. O anúncio foi feito após ataques noturnos em Caracas e estados próximos, que segundo a Venezuela atingiram infraestruturas estratégicas e civis.

Para o Brasil, a queda de Maduro e o enfraquecimento da esquerda na América do Sul representam um novo desafio diplomático. Com menos espaço para a atuação da esquerda regional, o governo brasileiro precisa equilibrar interesses internos e a busca por uma relação construtiva com os Estados Unidos. Enquanto isso, Lula tenta capitalizar a melhora das relações com Washington como trunfo eleitoral, ao mesmo tempo em que enfrenta a resistência de aliados que ainda apoiam Maduro.

Como fica a relação entre Brasil e EUA depende de futuras ações e de como as lideranças dos dois países vão administrar divergências ideológicas diante de uma Venezuela em crise. O cenário aponta para uma fase de negociações diplomáticas mais intensas, com foco em soberania, comércio e segurança regional. O que você acha que essa relação pode significar para a política externa do Brasil nos próximos meses? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião sobre o papel de Lula e Trump nessa equação regional.

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