Juiz que deve julgar Maduro já condenou general do Cartel de Los Soles

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O juiz federal Alvin K. Hellerstein, conhecido por presidir casos de terrorismo e segurança nacional, comanda a audiência de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por conspiração ligada ao narcoterrorismo e posse de armas em propriedade da Venezuela para uso contra os EUA. Em 2024, Hellerstein condenou Clíver Antonio Alcalá Cordones a 21 anos e 6 meses de prisão por apoiar o narcoterrorismo, evidenciando o peso do caso.

Nesta segunda-feira (5/1), a audiência ocorre no Tribunal Distrital Federal de Nova York, em Lower Manhattan, onde Maduro e Flores respondem por conspiração com narcoterrorismo e posse de metralhadoras, dispositivos explosivos e armamentos.


O que está acontecendo?

  • No último sábado (3/1), os EUA realizaram uma operação que envolveu cerca de 150 aeronaves, após meses de tensões na região.
  • A operação foi apresentada pela Casa Branca como uma ação contra o tráfico de drogas na região.
  • O ataque resultou na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Após a remoção da Venezuela por militares norte-americanos, eles foram transferidos para os EUA para responderem à Justiça.
  • Maduro e Flores são acusados de crimes ligados ao tráfico internacional de drogas. Provas provenientes de Washington não foram divulgadas até o momento.

Hellerstein, que preside a audiência de Maduro, tem histórico em julgar casos de grande repercussão ligados ao terrorismo e à segurança nacional, como os ataques de 11 de setembro, processos envolvendo Harvey Weinstein e julgamentos de fraude envolvendo Charlie Javice e Bill Hwang.

Em 2024, o tribunal apontou que o ex-general das Forças Armadas da Venezuela e outros altos funcionários dirigiam e fortaleciam os lucros do Cartel de Los Soles, com exportações para os Estados Unidos. A gestão da organização criminosa por parte de funcionários de alto escalão pode ter consolidado as evidências da associação de Maduro ao cartel, já alvo de investigação anterior.

“Como membro de alto escalão das Forças Armadas da Venezuela e do Cartel de Los Soles, Clíver Antonio Alcalá Cordones e seus cúmplices buscaram usar a cocaína como arma, ajudando as Farc a armar seus membros e a enviar toneladas de drogas para os Estados Unidos”, afirmou o procurador federal Damian Williams, que participou do julgamento presido por Hellerstein.

O procurador acrescentou que Alcalá Cordones, de 62 anos, colaborou com a Farc para liberar membros da organização e forneceu armas, influenciando o fluxo de cocaína para o narcotráfico. O ex-general se declarou culpado de apoiar uma organização terrorista estrangeira ligada às Farc e reconheceu participação no tráfico de armas. O tribunal autorizou três anos de liberdade condicional supervisionada ao réu.

Narcotráfico da Venezuela contava com parceria da Colômbia

Segundo o resumo do julgamento, divulgado pelo Departamento de Defesa dos EUA, a Farc é uma organização violenta sediada na Colômbia, envolvida na produção e distribuição da maior parte da cocaína. A investigação aponta que Alcalá Cordones, em parceria com as Farc, facilitou a importação de toneladas de cocaína para os EUA para enriquecer o Cartel de Los Soles, com o objetivo de ampliar o poder da facção narcoterrorista.

Durante a cooperação com as Farc, Alcalá Cordones teria impedido a prisão de membros ligados à facção, oferecido proteção e liberdade de movimento, além de repassar armamento de grosso calibre. Ele também atuou para evitar a interceptação de carregamentos de cocaína e recebeu milhões de dólares em subornos decorrentes do tráfico.

Alcalá Cordones se declarou culpado ao admitir apoio material a uma organização terrorista estrangeira associada às Farc e reconheceu sua participação no tráfico de armas para o narcotráfico. O tribunal impôs, ainda, três anos de liberdade condicional supervisionada ao ex-general venezuelano.

Nesta nota, trazemos o panorama da audiência e os principais pontos do caso, incluindo as ligações entre o Governo venezuelano, o Cartel de Los Soles e as Farc, além do impacto potencial para as relações entre EUA e Venezuela.

A audiência em Nova York reforça o histórico de casos complexos envolvendo terrorismo, narcotráfico e cooperação internacional no combate a crimes transnacionais. A guarda do processo e as provas continuam em avaliação pelas autoridades norte-americanas.

Fique atento às atualizações sobre este caso. Deixe sua opinião nos comentários: você acredita que a cooperação entre autoridades internacionais poderá desdobrar novas evidências ou consequências para a região?

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