Investigado pela Polícia Federal no caso conhecido como a farra do INSS, Danilo Berndt Trento recebeu R$ 100 mil, à vista, da sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma das instituições sob investigação por aplicar descontos ilegais nas aposentadorias e pensões de beneficiários.
A transferência foi realizada por Lucineide dos Santos Oliveira para a conta de Danilo, por meio da empresa Impacto Serviços de Apoio Adm, sediada na região administrativa Recanto das Emas, no Distrito Federal. No mesmo endereço funcionam dezenas de empresas ligadas a outros investigados na farra do INSS.
O depósito foi feito na conta de Danilo no BK Bank — instituição investigada por supostamente lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2024. A informação integra relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à CPMI do INSS e obtido pelo Metrópoles.
Investigado na CPI da Covid-19
Velho conhecido do Congresso Nacional, Danilo também foi alvo da CPI da Covid-19, em 2021, quando era diretor da Precisa Medicamentos, ligada à intermediação da compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde. Ao final, a CPI pediu o indiciamento dele por fraude em contrato, improbidade administrativa e formação de quadrilha.
Segundo informações do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) de Trento, ele recebeu R$ 11,6 milhões de uma empresa chamada T5 Participações LTDA — criada em março de 2020 como hamburgueria em Cidade Monções, SP. Dois anos depois, a empresa foi adquirida por Trento, que elevou o capital social e alterou o endereço. Em março de 2024, Trento saiu da sociedade, deixando como única sócia Francine da Rosa, que vive em Tubarão (SC) e já foi beneficiária do Bolsa Família e, depois, do Auxílio Brasil, até dezembro de 2022.
Em março de 2024, Danilo saiu da sociedade e deixou como única sócia Francine da Rosa. A mulher vive em uma casa simples em Tubarão (SC). Era beneficiária do Bolsa Família e, depois, do Auxílio Brasil, até dezembro de 2022. Formalmente, é a única dona da empresa que pagou R$ 11,6 milhões a Danilo Berndt Trento.
“Dona” de outra empresa
Curiosamente, Francine também aparece como única sócia da BSF Gestão de Saúde — companhia que também foi investigada na CPMI da Covid-19, sob suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde.
Assim como Danilo, a BSF Gestão de Saúde recebeu Pix de investigados na farra do INSS. No caso, R$ 300 mil foram repassados por meio de uma empresa pertencente a Samuel Chrisostomo, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer).
A BSF, segundo o texto, está ligada à Cifrão Tecnologia, um dos diversos CNPJs criados por Samuel, operando no mesmo sobrado onde ficam as empresas da sócia de AAB. O Coaf informou que a Cifrão transferiu o montante à BSF logo após receber R$ 1,6 milhão da Conafer, em outubro de 2023, seguido de outras transferências imediatas — incluindo R$ 150 mil para JSM Serviços, R$ 100 mil para N&C Distribuidora de Agropecuários e R$ 22 mil para Lucineide dos Santos Oliveira.
No mesmo período, Samuel também transferiu R$ 525 mil para a Solution BRB Nova, outra empresa dele. O Coaf descreve a Cifrão como microempresa de desenvolvimento de programas de computador, com faturamento declarado de apenas R$ 11.240,86, mas que movimentou aproximadamente R$ 1.625.759,14 naquele mês, indicando movimentação atípica.
A BSF Gestão de Saúde atua no campo de consultoria e gestão de benefícios em saúde, especialmente planos de medicamentos e assistência farmacêutica. Os repasses à vista e a movimentação expressiva servem de alerta para autoridades de fiscalização, que não encontraram explicação para tais transferências, sugerindo uso de empresa laranja.
No relatório da CPMI do INSS, o Coaf descreve a BSF como companha indiretamente ligada à Precisa Comercialização de Medicamentos Ltda., alvo de investigação do MPDFT na Operação Falso Negativo, ligada a desvios de verbas públicas, fraudes em licitações e superfaturamento na compra de testes de Covid-19. Segundo a CPI da Pandemia e o Coaf, o sócio da Precisa, Francisco Emerson Maximiano, é “acusado de movimentar R$ 50 milhões com indícios de lavagem de dinheiro através de suas empresas, incluindo a BSF Gestão”.
O Metrópoles tentou contatar os citados, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Este caso evidencia ligações entre entidades sob investigação e operadores financeiros que levantam suspeitas de irregularidades na gestão de recursos públicos. Acompanhe as informações e compartilhe sua opinião nos comentários.

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