Meta descrição: Estudo da Polícia Civil do Distrito Federal aponta que a embriaguez ao volante é problema estrutural, com quase 3 mil autos de prisão em flagrante nos anos de 2024 e 2025. Propostas vão desde endurecimento de fiança até educação e uso de inteligência artificial para prevenção.
Investigadores e delegados do Distrito Federal observam que a chamada “liturgia do caos” marca as operações de plantão da Polícia Civil nas prisões em flagrante. Ao som das sirenes, não se trata apenas de prender; muitas vezes, a ação pode encenar tragédias no trânsito, principalmente quando envolve embriaguez.
Dados do estudo: Nos anos de 2024 e 2025, o Distrito Federal registrou cerca de 3 mil autos de prisão por embriaguez ao volante — 1.546 em 2024 e 1.524 em 2025. A média chega a quatro prisões por dia nesses casos.
Para o delegado Marco Antônio Farah de Mesquita, a embriaguez no trânsito não é apenas uma infração administrativa; é uma violação grave que pode destruir famílias com a mesma precisão de um crime. O episódio ocorre em via pública e exige resposta firme da autoridade.
“Precisamos encarar esse flagrante não como uma ocorrência administrativa de plantão, mas como a prevenção de um homicídio. O asfalto não pode continuar sendo o cenário onde o ‘elo da vida’ se quebra por um copo a mais”,
reforça o delegado.
Rigidez na conversão de penas
O estudo aponta que não existe um padrão único nos perfis de flagrantes: alguns autores criam problemas na delegacia, outros admitem culpa. Contudo, na prática, há, em muitos casos, a possibilidade de arbitramento de fiança, mesmo para situações graves, o que dificulta a repressão efetiva.
Segundo o delegado, mesmo com gravidade real, o autor pode ter a fiança arbitrada com base apenas na pena base do crime, sem considerar danos, riscos às vítimas ou a situação concreta do flagrante.
A necessidade é endurecer os critérios para o arbitramento da fiança, para que haja avaliação objetiva do caso, levando em conta danos causados e riscos à vida das vítimas, em vez de depender apenas da pena abstrata.
Ele acrescenta ainda que a repressão sozinha não avança. É preciso ampliar o debate com novos critérios que não se resumam à pena abstrata e pensar na lei para evitar casos futuros.
A mudança drástica, segundo o pesquisador, representaria um futuro prospectivo: a pessoa pensaria duas vezes antes de decidir beber e dirigir.
“A maioria da população dirige e bebe. Isso já está no imaginário popular. Dependendo das condições, ela ingere a bebida alcoólica e pensa: ‘Eu pago uma fiança e durmo em casa’.”
Outras soluções
O delegado também sugere duas linhas de ação para combater o flagrante de embriaguez ao volante: educação punitiva e ressocialização, e o uso de tecnologia com fiscalização inteligente.
Na ponta educativa, ele defende que, ao ser autuado, o motorista seja encaminhado a centros de reabilitação para vivenciar, na prática, os malefícios do álcool ao dirigir.
Quanto à tecnologia, propõe uma fiscalização inteligente que antecipe o crime antes que algo grave aconteça. A ideia é usar câmeras e sistemas de monitoramento para prevenir, não apenas punir.
“Precisamos trazer o uso da Inteligência Artificial para esse campo. O Distrito Federal é uma região com grande malha de câmeras de segurança e de trânsito. Isso ajudaria a prevenir, não apenas a reprimir”, afirma o pesquisador.
Em síntese, o estudo aponta que o problema é estrutural e requer mudanças que vão além da punição, incluindo educação, ressocialização e tecnologia para reduzir a incidência de embriaguez ao volante e proteger vidas no trânsito.
E você, o que acha dessas propostas? Acredita que endurecer critérios de fiança, investir em educação ou adotar mais tecnologia pode reduzir os casos de embriaguez ao volante no seu dia a dia? Compartilhe sua visão nos comentários.

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