Máfia chinesa: STJ nega liberdade a chefão da metanfetamina em SP

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Zheng Xiao Yun, conhecido como Marcos Zheng, apontado como um dos chefes de uma quadrilha internacional responsável pela fabricação e venda de metanfetamina em São Paulo.

Zheng está preso preventivamente desde dezembro de 2024, acusado de tráfico de drogas e organização criminosa. Ele foi alvo da Operação Heisenberg, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo para desarticular a rede formada por traficantes chineses, mexicanos e nigerianos que dominava o mercado na capital.

A prisão ocorreu pela segunda vez em quatro anos, quando Zheng foi flagrado em um motel com uma prostituta e uma porção de metanfetamina, droga usada principalmente no chemsex, prática conhecida como sexo químico.

A quadrilha liderada por Zheng comercializava metanfetamina em hotéis e motéis de São Paulo, com atuação destacada no Lido, na Liberdade, região central da cidade, conforme já mostrou o Metrópoles em séries anteriores sobre a Máfia Chinesa.

Quem é Marcos Zheng? Empresário, um dos líderes da Associação Chinesa do Brasil, que chegou a ter encontros no Palácio dos Bandeirantes com banqueiros e empresários na presença do então governador Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República.

O calvário começou em 2020, quando foi preso com armas de grosso calibre e uma carga de 15 mil testes de Covid roubados no Aeroporto de Guarulhos. Em outubro daquele ano, ele foi condenado a nove anos de prisão por esse processo. Embora a Justiça tenha considerado que a carga tinha origem duvidosa, ele manteve o material no galpão, o que configurou venda de produto de origem fraudulenta durante a pandemia. Solto posteriormente, foi monitorado novamente por investigadores por tráfico de drogas.

Em outubro do ano passado, Zheng foi condenado a quatro anos, quatro meses e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, por associação para o tráfico, sem o direito de recorrer em liberdade. Ele passou 10 meses preso preventivamente antes da condenação, o que reduziu a pena total, e o regime inicial passou a ser semiaberto. No entanto, ao analisar um habeas corpus, o TJSP manteve a prisão preventiva.

Ao negar o pedido, o presidente do STJ, o ministro Herman Benjamin, apontou que não há ilegalidade manifesta nem situação de urgência apta a justificar a concessão do habeas corpus. A Corte disse, em análise preliminar, que o acórdão do TJSP não é ilegal, e o mérito do habeas corpus será avaliado pela Quinta Turma da Corte, sob relatoria da ministra Maria Marluce Caldas.

O Metrópoles não localizou formas de contatar a defesa de Zheng. O espaço segue aberto para manifestações.

Este caso evidencia a tramitação de recursos envolvendo prisões preventivas ligadas a organizações criminosas, com o STJ mantendo a cautelar enquanto o mérito é revisado pela Quinta Turma, sob a relatoria de uma ministra da Corte.

E você, qual a sua opinião sobre a decisão e o papel da Justiça no combate à criminalidade organizada? Compartilhe nos comentários abaixo e participe da discussão.

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