Cristãos na Somália vivem em um dos ambientes mais hostis do mundo, onde seguir a fé abertamente é impossível. A Constituição Provisória de 2012 considera ilegal a conversão do islamismo ao cristianismo. A sharia é aplicada em todas as regiões e, combinada com a pressão da sociedade e dos clãs, força os cristãos a praticarem a fé em segredo e isolados.
Converter-se a outra religião que não seja o islamismo é visto como traição à família, ao clã e ao país, podendo levar à violência, expulsão da família e até execução.
Cristãos não têm proteção legal na Somália. A lista mundial da perseguição de 2026 aponta o país como o segundo pior lugar do mundo para quem segue o cristianismo. As autoridades participam ou toleram assédios, vigilância e intimidação, criando um ambiente em que o cristianismo é criminalizado. Muitos cristãos sofrem ataques ideológicos e também os danos de uma economia de guerra.
A instabilidade política piorou, com tensões com a Etiópia que afetam a segurança regional, fortalecem a ilegalidade e elevam a atividade criminosa, além de ampliar o domínio de grupos extremistas como o Al-Shabaab.
O Al-Shabaab executa abertamente qualquer pessoa suspeita de ser cristã, tendo como objetivo erradicar o cristianismo na Somália. Esses fatores, somados, tornam o país um dos lugares mais perigosos do mundo para quem segue a fé cristã.
Como disse Aweis, cristão da Somália que serve a igreja na região do Chifre da África: “Meu pai disse: ‘Não posso impedir você de ler a Bíblia, mas se você se tornar cristão, eu mesmo vou matá-lo.’”
As mulheres na Somália enfrentam uma perseguição específica, com mutilação genital feminina, altas taxas de casamento infantil e deslocamento. Em campos de deslocados internos, mulheres e meninas estão vulneráveis a violência sexual, exploração e abusos. Cristãs de origem muçulmana sofrem humilhação pública, prisão domiciliar, casamento forçado, violência sexual ou até morte. Vivas podem ser coagidas a se casar com homens muçulmanos, e meninas cristãs correm risco de sequestro e conversão forçada ao islamismo. A discriminação econômica agrava a pobreza das mulheres e das crianças, e nas escolas há pressão para aderir às práticas islâmicas.
Entre os homens, a masculinidade é associada ao islã, tornando cristãos de origem muçulmana especialmente vulneráveis. Homens e meninos suspeitos de serem cristãos podem ser atacados, torturados, sequestrados, presos ou mortos, muitas vezes pela própria família. O Al-Shabaab recruta jovens compulsoriamente; também há casos em que famílias enviam cristãos para centros de doutrinação islâmica. Se um homem cristão é descoberto, pode enfrentar testes de lealdade públicos, ser deserdado, ter acesso à educação negado e ser coagido a renunciar à fé. As famílias costumam sofrer bastante com essa situação, e a liderança cristã na Somália é enfraquecida por essa clandestinidade de prática religiosa.
Quanto à natureza da perseguição, existem diferentes tipos descritos, como opressão islâmica, opressão de clã, corrupção e crime organizado, além de uma paranoia ditatorial. As fontes de perseguição são atores que conduzem ou executam hostilidades, muitas vezes grupos radicais menores dentro de um grupo mais amplo de adeptos de uma visão de mundo. A complexidade dessas dinâmicas agrava o sofrimento dos cristãos na região.
A Portas Abertas atua na Somália e no Chifre da África desde 1990, oferecendo discipulado e capacitação para que cristãos resistam à perseguição extrema. Além disso, a organização incentiva ações de apoio aos cristãos que enfrentam maiores necessidades na região.
Para ajudar, você pode contribuir com o projeto de apoio aos cristãos perseguidos, apoiando ações que promovem resiliência, proteção e assistência prática. Sua doação ajuda a manter programas de discipulado, formação e suporte em momentos de crise.
Esta reportagem resume informações disponíveis sobre a situação dos cristãos na Somália e o trabalho de organizações que atuam na região. Compartilhe nos comentários suas reflexões, experiências ou perguntas sobre o tema, e ajude a ampliar o debate sobre perseguição religiosa e proteção a minorias.

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