O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, nesta segunda-feira (19/1), que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), pressionaram membros do Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter uma decisão do Banco Central que liquidou o Banco Master.
Calheiros confirmou ao Metrópoles ter recebido informações de que Motta e Lira teriam atuado para influenciar os rumos de um processo da Corte de Contas que analisa a atuação do BC no caso Master. O ex-presidente do Senado não detalhou como teria ocorrido a pressão.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve a liquidação extrajudicial anunciada pelo Banco Central em novembro passado. A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira. À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem o sistema financeiro.
O caso chegou ao TCU depois que o Ministério Público junto ao tribunal afirmou que existem suspeitas de que o BC falhou na supervisão da instituição. A relatoria do processo ficou com o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado pelo Republicanos e indicado ao posto pela Câmara.
Renan Calheiros indicou que o ex-presidente da Câmara e o atual presidente teriam pressionado membros do TCU para reverter a liquidação decretada pelo BC no âmbito do processo relatado por Jhonatan de Jesus e em outros casos.
Em um dos despachos, Jhonatan de Jesus chegou a sugerir que a decisão do BC poderia ser reavaliada pela Corte de Contas. “Não se descarta que venha a ser apreciada, em momento oportuno, providência cautelar voltada à preservação do valor da massa liquidada e da utilidade do controle externo”, disse.
Responsável pelo caso Master no TCU, o ministro Jhonatan de Jesus chegou ao posto após indicação da Câmara dos Deputados. Na época, Motta e Lira atuaram para eleger o então aliado.
“Fake news”
Ao Metrópoles o ex-presidente da Câmara afirmou que Renan Calheiros tem se “especializado em criar fake news” e o acusou de “atacar sem provas seus adversários”.
“Renan Calheiros tem se especializado em criar fake news, como essa, para ganhar espaço na mídia e atacar sem provas seus adversários. Além disso, usa assuntos sérios de forma leviana para chantagear o governo, o parlamento e tentar limpar a própria biografia muito manchada por malfeitos”, disse Lira.
Procurada pela reportagem, a assessoria de Motta não respondeu se o atual presidente da Câmara se manifestará.
Comissão do Senado vai acompanhar o caso Master
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros criou, na última semana, um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master dentro do colegiado.
Segundo o parlamentar, os integrantes do grupo poderão realizar e sistematizar todos os atos legislativos voltados ao efetivo acompanhamento, tais como a apresentação de requerimentos de convocação de envolvidos e autoridades pertinentes, requerimentos de informação e a proposição de iniciativas legislativas relacionadas ao tema.
Os integrantes do grupo de trabalho também poderão apresentar pedidos de informação a autoridades competentes e propor iniciativas legislativas sobre o tema.
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