Primeira-ministra Sanae Takaichi dissolveu o Parlamento japonês nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, e convocou eleições antecipadas para 8 de fevereiro. A decisão ocorre em meio ao impulso de popularidade do gabinete, que busca respaldo público para medidas de proteção às famílias diante do aumento do custo de vida e para ampliar os gastos com defesa.
A líder, a primeira mulher a governar o país, havia anunciado a intenção de dissolver o Parlamento na segunda-feira, 19 de janeiro. A leitura da carta de dissolução pela presidente da Câmara Baixa encerrou a sessão, com parlamentares entoando o tradicional grito de guerra “banzai”.
A coalizão governista, formada pelo Partido Liberal Democrata (PLD) e pelo Partido da Inovação do Japão (PIJ), detém uma maioria estreita na Câmara Baixa. Takaichi espera que o apoio ao gabinete se traduza em um mandato mais sólido para enfrentar críticas e escândalos que afetam o PLD.
O descontentamento popular com o custo de vida ganhou fôlego após dados oficiais de inflação mostrarem que, em dezembro, a inflação desacelerou para 2,4% ao ano, excluindo alimentos in natura. Mesmo assim, o índice permanece acima da meta de 2% do banco central, afetando a percepção pública sobre a economia.
O governo atribuiu a alta recente de preços, como a do arroz, que dobrou de preço em meados de 2025, a fatores externos e a pressões de custos; no entanto, a inflação ainda representa um desafio para a popularidade do governo. O preço dos grãos subiu mais de 34% em dezembro em relação ao ano anterior, antes de amenizar nos meses seguintes.
O gabinete de Takaichi aprovou um orçamento recorde de 122,3 trilhões de ienes (cerca de US$ 770 bilhões ou R$ 4 trilhões) para o ano fiscal que começa em abril de 2026, sinalizando prioridade a medidas de proteção social e defesa. Contudo, opositores argumentam que a dissolução pode atrasar a aprovação no Parlamento.
“Não está claro se o elevado apoio público ao gabinete se traduzirá em apoio ao PLD”, avaliou Hidehiro Yamamoto, professor de ciências políticas da Universidade de Tsukuba, ao AFP. O economista destacou que a inflação controlada é um ponto sensível para a população, que pauta o voto.
O Japão enfrenta um cenário de inflação sob controle, mas com custos de vida ainda elevados e uma moeda fragilizada, que encarece importações. O governo aposta que o apoio ao gabinete resulte em mandato mais forte para enfrentar esses desafios e manter a recuperação econômica da sexta maior economia do mundo.
E você, o que acha dessa dissolução do Parlamento japonês e das eleições antecipadas? Qual o impacto que prevê para os próximos meses na política e na economia do Japão? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e participe da discussão.

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