Kleber Mendonça Filho, de ‘O Agente Secreto’: ‘Não sou obrigado a fazer filmes políticos’

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O Agente Secreto, novo longa de Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, foi indicado a quatro categorias do Oscar, com a cerimônia marcada para o dia 15 de março, nos Estados Unidos. A participação reforça o momento de destaque do cinema brasileiro no cenário internacional.

Em entrevista à AFP, o cineasta atribui esse impulso ao retorno de Lula ao poder, em 2023, após anos de cortes e desmonte de políticas culturais no Brasil. O país viu o Ministério da Cultura ser extinto e os mecanismos de fomento ficarem limitados, mas dois filmes nacionais receberam boa recepção tanto no Brasil quanto no exterior.

Mendonça Filho associa o sucesso do filme a narrativas sobre a ditadura militar que ganharam espaço internacional, reforçando a ideia de que histórias sobre o uso do poder para oprimir pessoas têm alcance universal.

Nos Estados Unidos, a receção ocorreu em um momento político conturbado, com o atual presidente desde janeiro de 2025, Donald Trump, sob críticas por ataques às liberdades e pela política migratória. Ainda assim, a reação ao filme foi fortíssima, e muitos se identificaram com a história.

Apesar do impacto político, Mendonça Filho diz que não faz cinema para ser resistência declarada. “Se você conta uma história de forma honesta e bem construída, provavelmente estará contribuindo para a compreensão do país”, ele afirma, destacando que a arte pode funcionar como forma de resistência sem se tornar hegemônica.

Wagner Moura, famoso por “Guerra Civil” e “Tropa de Elite”, participa pela primeira vez de uma obra do diretor. O cineasta reforça que o ator está exatamente onde deveria estar, lembrando que o cinema brasileiro não precisa se apresentar como movimento político, mas pode colaborar para o debate público por meio da qualidade e da verdade na história.

Lula já havia comentado que O Agente Secreto é essencial para evitar o esquecimento da violência da ditadura. Mendonça Filho, por sua vez, ressalta que, embora não haja obrigação de produzir filmes políticos, narrativas honestas ajudam a entender a sociedade e a história do país.

O Oscar para O Agente Secreto chega em um momento em que o cinema brasileiro ganha visibilidade internacional, evidenciando a união entre talento nacional e uma visão universal que dialoga com leitores e espectadores ao redor do mundo. E você, o que acha do papel do cinema na preservação da memória histórica? Compartilhe suas ideias nos comentários.

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